quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Revista Veja: Informação ou falso Jornalismo?


Texto de Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) & Fernando Colhardo (@futurosociologo)

   Em 2006, quando estava trabalhando como representante de assinaturas para Editora Abril, lembro que uma vez estava com uma stand em uma faculdade e fui abordar um professor para vender a assinatura da revista veja. Até então eu era leigo em suas reportagens, mas como vendedor, recebia um exemplar toda semana da revista e lia, como uma pessoa que lê revistas, mas ao abordar esse professor, ele me respondeu para começar a analisar a revista e me mostrou em formas de imagens algumas copias de capa de alguns exemplares, onde ele tinha dado a aula falando sobre a revista e citando que a revista veja, desde 2003 (isso em 2006) ataca o governo Lula, com criticas, denuncias e etc...

   Na semana seguinte, veio as eleições e Lula por pouco não ganha no primeiro turno, mas como a revista veja lança semanalmente todo sábado, e as eleições pelo país foram no domingo a capa da época era citando como seria o Brasil de Alckimin.


  A partir dali comecei a analisar e desprezar cada vez mais essa revista, pois eu via que eles na verdade não faziam jornalismo de verdade e a todo custo tentavam acabar com o governo atual, a benefício da elite rica e dos partidos como DEM e PSDB.

  Passa se 5 anos e venho analisar, cada semana as capas da revista veja e vendo capas pesadas contra o governo Lula, contra aqueles que tem ideologias de esquerda (até para o Chico Buarque sobrou) e claro, defendendo nomes já ultrapassados como Serra, Alckmim e agora com Aécio Neves, que foi até capa em 2010, dando seu apoio ao Serra no segundo turno. Agora, isso seria jornalismo de verdade ou bandidismo com atos inconstitucionais?

  Chega 2011, após a posse da nova presidente, Dilma Roussef, a revista começar a se especializar em derrubar ministros. Até esta data que o artigo foi escrito, foram derrubados 4 ministros, inclusive o braço direito dela, o ministro Palocci. Mesmo sendo verdade ou não, como a revista consegue todos esses dados?Até que então surge uma notícia de ultima hora, que a revista invadiu um quarto de hotel para implantar câmeras escondidas, onde um repórter está sendo acusado de tentar convencer a camareira a deixá-lo entrar no quarto de José Dirceu, fingindo se passar por um colega do ex-ministro que estaria hospedado no mesmo apartamento. Essa denúncia partiu da camareira e do chefe de segurança do hotel, e foi registrada num boletim de ocorrência do 5º distrito policial de Brasília.

  Para o deputado Emiliano José (PT/BA) afirma que o caso é extremamente grave e a sociedade brasileira deve reagir ao escândalo com a mesma indignação que os ingleses reagiram aos escândalos dos grampos do jornal News of the World, pertencente ao grupo do bilionário Rupert Murdoch, e que resultou na prisão dos responsáveis, além do fechamento do jornal, maculado de maneira irremediável pelo escândalo dos grampos que foram descobertos e atingiram desde políticos até vítimas de seqüestro. O chamado “Caso Murdoch” abalou a Inglaterra e trouxe à baila a discussão sobre os limites da imprensa na democracia.

  Com isso a revista passa de jornalismo para bandidismo, onde a todo custo tenta vender reportagens contra o PT e seu governo, pois chegar ao ponto de convencer um funcionário de um hotel para todo custo buscar reportagens. É possível que alguns leitores concordem com os métodos empregados pela revista e fiquem tão maravilhados, mesmo Sabendo- que o passado da Veja, entretanto, e das causas que abraça, não chega a surpreender esse tipo de jornalismo praticado pela revista. São muitos os entrevistados de Veja que se queixam de que suas declarações foram deturpadas, pelo mesmo método usado na televisão: a edição. Nesse caso, do texto. É só pinçar uma frase e juntá-la a outra, dita em contexto diferente, e você terá uma informação deformada, mentirosa. Por isso, quando se trata de Veja, os entrevistados mais experientes exigem que tudo que foi dito seja gravado.

Segundo a reportagem do Observatórioda imprensa:

  Analisando as imagens da Veja, percebe-se com facilidade se tratar de uma minicâmera para espionagem. Câmeras de segurança, por terem fonte de luz IV própria, não são instaladas próximas a anteparos de iluminação, pois o reflexo da luz branca atrapalha. As imagens divulgadas pela Veja identificam que a câmera usada para captá-las estava instalada junto ao anteparo de luz. Eles usam normalmente esse artifício para ocultar o equipamento, e ter uma fonte de luz e energia para ligar a câmera.

Perceba na imagem abaixo, os reflexos nas cabeças de José Dirceu e Fernando Pimentel que estão mais próximos a câmera, demonstrando que foi ocultada em um anteparo de luz.



 As provas que Veja produziu contra si mesma agravaram a sua situação. Agora, além de tentativa de invasão de domicílio e falsidade ideológica, existe a confissão de invasão de privacidade, não só de José Dirceu e os políticos mostrados, mas de todos os hóspedes desse andar e dos funcionários do hotel.

  Apesar da vergonhosa “operação abafa” (omertá tupiniquim) movida pelos principais veículos de comunicação, o que demonstra um corporativismo criminoso (se não for rabo preso por culpa no cartório), ainda restam aos atingidos, como o PT, acionar a Polícia Federal e o procurador geral da República por se tratar de um crime ainda mais grave quando atinge ministros de Estado e põe em risco o Estado democrático de direito.

  Cada vez mais fica complicado para o lado da revista de veja, e cada vez mais em suas reportagens fica claro que a revista usa formas criminosas para suas reportagens, que alem de ser uma revista, onde sua maioria é tucana e democratas, mostra que a cada semana, usa interesses próprios e esquece da democracia, onde quem sai lesado com esses tipos de reportagens um tanto criminosa, são os assinantes, leitores que com sua falsas matérias, infringe a constituição e o direito de reportagem verdadeira a todos os cidadãos brasileiros.

“Agora, foi José Dirceu. Amanhã, quem mais? Qualquer cidadão está exposto a isso. A Revista Veja acha-se no direito de agir como se não tivesse que prestar contas a ninguém. Como se estivesse inteiramente acima da Constituição e das leis do País. São necessárias providências enérgicas para punir esse comportamento, punir esses procedimentos, garantir que o Estado de Direito não seja desrespeitado como o foi neste caso. Trata-se até de resgatar o bom jornalismo. De levar os fatos a sério. De fazer coberturas jornalísticas sem a necessidade de utilizar-se de meios criminosos.” Emiliano José.

  O que esperar de um veículo de comunicação que age desta forma? Pois bem, em tudo que se trata de partidos de esquerda e de manifestações, fica evidente que a mídia de um modo geral, age da mesma forma, sempre expressa suas opiniões e forma negativa, ao ponto de, em alguns casos, criminalizar atos que em sua origem se reforça a luta por direitos sociais! Nota-se que este caso referente ao que foi feito ao José Dirceu, nos traz a seguinte questão: Quantas vezes isso não deve ter ocorrido, e quantas vezes mais isso pode ocorrer? O fato é que a credibilidade que a revista possui se torna cada vez mais ameaçada, perante a um jornalismo realizado de forma vil pelos repórteres deste veículo!

1 comentários:

  • 7 de setembro de 2011 15:26

    Meu caro Joseclei,
    Esse exemplo da revista Veja pode ser observado em todas as áreas do discurso humano, seja ele jornalístico, político, religioso, publicitário e tantos outros. É como diz o ditado popular: “Puxar sardinha para sua brasa”. Em qualquer discurso encontramos questões de outra natureza, além daquela pretensa anunciada. Há sempre aspectos ideológicos por trás. Os sentidos são produzidos em decorrência da ideologia dos sujeitos em questão. Ora a revista em questão deve ganhar algo em troca de toda essa propaganda contra. Nas eleições do ano passado, pudemos observar a manipulação descarada da mídia sobre população. Toda foto que mostrava a presidenta Dilma era com o Lula cochichando em seu ouvido. O que estava por trás dessas imagens? O subentendido que a Dilma iria governa sob os pitacos de Lula. A massa inteira repetia em coro a mesma opinião. E hoje não é isso que estamos presenciando.
    Voltando ao sentido das palavras, para compreendê-las é preciso relacioná-las ao contexto sócio discursivo, a ideologia e a própria história. O ser que escreve determinado artigo está inserido num espaço social e ideológico e é claro que ele irá apenas repetir o que os que estão a sua volta dizem, ou mesmo defender interesses dos seus. O discurso constitui-se de um entrecruzado de discursos. Encontra-se em sua voz diferentes vozes, oriundas de diferentes discursos, já dizia Bahktin.
    A sociedade é bombardeada por esses efeitos de discurso que a mídia televisiva e jornalística lança. Certo estudioso da Análise do Discurso fez uma pesquisa sobre como era denominado a ação dos membros MST. A mídia chamava de invasão enquanto eles chamavam de ocupação. Ao utilizar a palavra invandir a mídia causa um efeito de sentido, caracterizando essas pessoas de vândalos.
    E o que podemos fazer perante essa mídia que nos cerca? Ficar de olhos bem abertos para não cair nas armadilhas do discurso manipulado. Manter o raciocínio crítico para não deixar-se ser enganado por esse falso jornalismo.
    Gliciane Sucupira

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