quarta-feira, 11 de maio de 2016

O ódio e Jair Bolsonaro


No dia 14 de abril, na votação do impedimento da presidente Dilma Roussef na Câmara dos deputados, um comentário durante a votação gerou repulsa a muitos brasileiros. O discurso do Deputado Federal Jair Bolsonaro lembrando o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Mas apesar do discurso, a página do então torturador no inicio da década de 70 cresceu de admiradores e com isso nomes como Marighella e Lamarca voltaram a ser comentados entre aqueles que hoje se denominam anti-comunistas, que é uma das principais pautas de ataques da família Bolsonaro.

Mas não só os comunistas são atacados. Há anos, outras minorias como negros, LGBTs, Índios, Mulheres e entre outros são atacados pela sua militância, pois é bem comum ver postagens contra cotas, ações sociais como Bolsa Família e a maioridade penal. Esses discursos de ódio em sua maioria vêm na base de “memes”, palavras de baixo calão e sem argumentos, quando são refutados, eles atacam te chamando de “petralhas”, “feminazis”, “comunistas de merda” e entre outras coisas como “vai para cuba” e etc. Mas no que de fato Bolsonaro e seus seguidores podem incomodar para o futuro da política brasileira?

Jair Bolsonaro será candidato a presidente em 2018 e seu filho, Flávio Bolsonaro candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro esse ano. Até a publicação, o pai está mais ou menos com 6% nas intenções de votos, ocupando a quarta posição e o filho tem 5% na quinta posição. Politicamente, eles não terão representatividade e nem apoio político para que alcancem os postos no executivo, porém a cada discurso da família, cresce o o número de simpatizantes, basta analisar o numero de votos pré e pós as redes sociais que veremos a diferença. Antes, tinham votos fixos, de determinadas classes, hoje conseguem ser os mais votados devido ao crescimento de simpatizantes, que entre eles são aqueles que acham que os comunistas vão tomar o Brasil, algo que nunca aconteceu nem na ditadura e nem no governo PT, além do incomodo da militância LGBT e feminista, que apenas lutam por seus direitos, algo que supostamente a família é contra.

Nessa base, podemos ver o que eles hoje representam para seus militantes e defensores. Claro que Bolsonaro quer holofotes e minutos de fama, mas seus discursos viram um mantra para quem defende suas falas e com isso, já é costume vermos nas redes sociais discursos de ódio, além de ataques para aqueles que tanto criticam. Muitos deles talvez estejam cansados pela crise política, a violência diária e toda corrupção que está acontecendo no Brasil, mas muitos acabam vendo nele uma solução, o que evidentemente não é, assim analisamos que muitos deles, tem pouco conhecimento político e econômico ou até nenhum nota-se isso nos discursos,  essas pessoas achando que é o remédio para a doença que supostamente se chama comunismo, achando por exemplo, que existe um plano bolivariano, junto com o Foro de São Paulo para tomar o Brasil e América do Sul. Além disso, aplaudem tudo que eles postam em suas redes sócias. Jair por exemplo nos debates é fácil de contradizer e ser refutado, assim como na entrevista no Jô Soares e na resposta da revista Nova Escola, quando ele resolveu criticar a educação e o tal “kit gay” que ele tanto fala, com isso e até pensamentos fascistas, usa-os como uma forma de se promover, aumenta com seu discurso autoritário  o ódio aos comunistas, as minorias e tudo social que tenha sido feito nos últimos anos, lembrando um pouco a política inicial de Hitler e Mussolini após a primeira guerra, é bem preocupante.

Esses discursos vêm afetando o dia a dia do brasileiro. LGBTs continuam sendo agredidos nas ruas, pessoas aos vestirem vermelho ou até ao comprarem livros de cunho comunista, são hostilizados pelo simples fato de usar algo que contradiz o pensamento deles e além disso, políticos, artistas e militantes de esquerda são agredidos verbalmente nas redes sociais e estabelecimentos como restaurantes e aeroportos e ninguém da família Bolsonaro, por exemplo, se posiciona para que essas coisas não acontecem, alias, colocam mais lenha na fogueira, como uma postagem do Jair, comentado sobre as manifestações em seu apartamento, mostrando mais ódio entre seus seguidores e provocando para um confronto entre as militâncias.
Esse discurso vindo da Família Bolsonaro e sua militância realmente preocupam, mas como diminuir isso? Talvez dar menos ibope aos seus comentários ou tentar cassar seu mandato, mas nenhuma das duas opções se concretizará e assim ficarão mais fortes, podendo enfim ganhar uma eleição para cargo executivo e alguma eleição futura. Então precisamos pensar até quando vai a libertinagem verbal do Bolsonaro, analisar até que ponto influenciará para a sociedade, que de fato, é carente de “heróis”, seja ela qual for. Claro que para ele, como político e até o uso de seu marketing, vai ganhando notoriedade na política, algo que ele não tinha antes das redes sócias, sem aprovar nenhum projeto em quase 20 anos no legislativo, porém suas palavras têm grande poder, podendo gerar conseqüências sérias como mortes e tragédias.

*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim.

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Foto: Agência Brasil.

Por mais Leiceters no futebol



Dois de maio de dois mil e quinze será uma data surpreendente e histórica até para o mais confiante torcedor apaixonado pelo seu clube, será a data em que o Leicester conquistou o primeiro título do Campeonato Inglês, a Premier League. Título conquistado de forma antecipada, restando duas rodadas para o fim do campeonato. Claro que o título dos foxes é uma grata e bela surpresa ao futebol inglês e mundial, é a prova que o futebol não vive apenas de bilhões em contratações e formações de supercraques para conquistar títulos e torcedores.

Os foxes quebraram a escrita de 20 anos, quando o Blackburn Rovers foi campeão, fora isso, apenas Arsenal, Manchester United, Chelsea e Marchester City conquistaram a Premier League, sendo que os últimos citados conquistaram devido aos bilhões investido para formação de Super elenco e o Leicester com um elenco bem inferior, sendo a quarta menor da temporada quebrou a regra, apesar de ser uma bela surpresa até para o técnico Claudio Ranieri e elenco, que após escapar do rebaixamento da temporada anterior, o objetivo dessa temporada seria também escapar da degola, mas a história foi bem diferente e agora eles jogarão a UEFA Champions League, para alegria daqueles que ainda acreditam no futebol e que o acaso pode acontecer, mesmo com todo dinheiro e glamour que ele nos trás, mas o futebol ainda vive e o Leicester é a prova disso.

Apesar da conquista não é uma exceção em nosso futebol, mas é menos comum como antigamente. A ganância de montar super elencos, interesses financeiros de jogadores, a elitização e os direitos de televisão diminuem as chances para que essas equipes de menor investimento tenham êxitos no futebol, seja o torneio que for realizado. De fato é complicar tempos de outrora para os tempos de hoje, mas temos conquistas recentes como a do Wolfsburg, campeão Alemão em 2009 e Montpellier na França em 2012, assim como a Grécia campeã da Eurocopa em 2004. Em tempos mais antigos na Inglaterra, temos o Derby County campeão em 72 e Nottingham Forest em 78, ambos com o lendário técnico Brian Clough, além do Ispwish Town em 62 e sem esquecer do Porto, campeão da UCL em 2004.

A América do Sul também tem suas surpresas, com Lanús conquistando o primeiro título do argentino em 2007, assim como Banfield ao conquistar em 2009, revelando o meia colombiano James Rodriguez e Arsenal de Sarandí campeão em 2012, além dos títulos do Olmedo, campeão equatoriano em 2000 e Cobresal em 2015.

 Já dentro do cenário intercontinental, as surpresas foram o título do Atlético Nacional, primeiro colombiano campeão da Libertadores em 2009, depois veio com o Once Caldas em 2004. Assim como a Colômbia, o Chile conquistou o primeiro e único titulo com o Colo Colo em 1991 e Equador com a LDU em 2008.

No Brasil, as surpresas foram poucas, mas temos o Guarani campeão Brasileiro em 78, Coritiba em 85, onde teve o Bangu como finalista e Brasil de Pelotas como semifinalista. Em 87, veio o primeiro título nacional do Sport e em 88 com o Bahia, sem contar o título da Taça Brasil, conquistado na década de 60 e fechando com o Atlético Paranaense em 2001, fora isso, as surpresas vieram na Copa do Brasil com Criciúma em 91, Juventude em 99, Santo André em 2004 e Paulista em 2005, além de surpresas como Bragantino no inicio da década de 90, Portuguesa em 96 e São Caetano, no início do Século XX, conquistando o campeonato estadual em 2004, apesar que o paulista tem o Ituano em 2013 e a maior zebra considerada que foi o titulo da Inter de Limeira em 1986 sobre o Palmeiras.

O título do Leicester foi importante para repensarmos o futebol e o caminho que vai seguindo. Clubes são comprados por bilionários, sem nenhuma identificação, jogadores que mudam de camisa, sem ter uma própria história, além de times que garimpam jogadores de países com poder financeiro bem menor como moeda de troca, além de formar seleções com astros para aumentar seu poderio e conquistar títulos e torcedores que nem sequer acompanhará o time e outras coisas mais que afasta muitos do futebol.

Agora ver uma cidade pequena, com um time sem expressão, que na temporada passada brigava para não cair e na temporada seguinte conquistar o titulo do torneio mais rico do mundo, com um elenco que não chega a metade do valor de um jogador de um time que gasta bilhões e joga de igual para igual mostra que o futebol ainda vive e que nem tudo é movido a dinheiro e que acima de tudo, a paixão pelo clube, mesmo que modesto, vale mais do que Reais, Barcelonas, PSGs, e por ai vai. Claro que nos tempos de hoje, isso é bem incomum de acontecer, principalmente aqui no Brasil, onde há uma enorme diferença daqueles que se considerados grandes com aqueles que médio e pequeno porte. Talvez não veremos um Santa Cruz, atual campeão da Copa do Nordeste conquistando um nacional, até mesmo o Campinense, campeão do mesmo torneio em 2013, assim como clubes tradicionais como Bangu, América, Juventus e entre outros.

Mas é preciso pensar e que o Leicester hoje seja o inicio ou a volta daquilo que fez muitos se apaixonarem pelo esporte, e claro que o que mais queremos é um futebol mais igualitário para todos e que mais clubes como Wolfsburg, Montepllier e entre tantos clubes conquistem mais títulos jogando com a alma, com a garra e a torcida sempre ao seu lado, não deixando nunca o futebol morrer.


*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim.

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Imagens: Getty. 


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Meu primeiro beijo



Olá, meu nome é Júlia e tenho 19 anos. Apesar da minha idade onde para muitos é estranho, em nenhum momento pensava em relacionamentos ou o chamado rolo. Nascida em um bairro do subúrbio carioca e dentro de uma família considerada de classe média, sempre me dediquei aos estudos e nos tempos vagos, era os livros e a música me que ocupavam esse espaço.

Entre minhas amigas, pouco se falava de namoros ou sexo, mas com um tempo elas começaram a namorar e eu fui ficando sozinha, sem companhias nos momentos de diversão e conversas, foi então que comecei a me interessar sobre a questão de namorar. Comecei a me entreter mais nas redes sociais, me cadastrei sites de relacionamento como Tinder e Badoo. Nesse período, cheguei conhecer muitos garotos, uns até eram interessantes, porém moravam longe e outros só queriam aventuras e nesse tempo e para minha surpresa, conheci Paulo. Ele tem 23 anos, trabalhava como atendente de uma livraria e estava se formando em arquitetura, enquanto eu estou procurando emprego e estudando no terceiro período de Fisioterapia. Paulo em sim, não era o padrão de beleza, moreno, cabelo curto, olhos castanhos, com mais ou menos 1,70m, porém o que me chamou atenção foi quando estava na livraria que ele trabalha em busca de um livro do Rubem Fonseca, escritor preferido dele. Parece o destino, mas foi por isso que ele me chamou a atenção, já que foi ele que me atendeu e me deu a dica de outros livros do autor.
Conversa vai e conversa vem, trocamos  os contatos e a noite ele resolveu me ligar e até então homem nenhum tinha me ligado para esse intuito e mesmo com o meu desconhecimento sobre relacionamentos, via em Paulo a chance de pelo menos ter o primeiro beijo.

Conversamos por mais ou menos três horas e ficamos quase um mês conversando por torpedos e mensagens via WhatsApp, até que ele resolveu me convidar para sair. Agora começaria a minha preocupação, pois nunca tinha saído com alguém e ele seria a oportunidade, porém não queria demonstrar a minha inexperiência para ele, então resolvi aceitar o convite.

Enfim chegou o dia e Paulo optou para irmos ao então museu do amanhã, inaugurada há cinco dias atrás. Encontrei Paulo na Praça XV, em frente as Barcas e fomos conversando até a Praça Mauá, que está linda após revitalização do local. Ficamos a tarde toda no museu e depois fomos em uma lanchonete e sentia a cada minuto como seria a minha reação caso ele quisesse me beijar. Ficamos um tempo conversando sobre diversos assuntos como livros, música, filmes até chegar no assunto relacionamento.

Paulo comentou que estava solteiro três meses e que tava vindo de um relacionamento de 4 anos e me perguntou se também tinha namorado, ai gelei, mas falei, que sempre dediquei a minha vida aos estudos e nunca tinha me relacionado com alguém. Ele parou por alguns segundos, me olhou e depois sorriu dizendo que entenderia e que achava bacana eu me dedicar apenas isso. Nesse momento fiquei mais tranquila até Paulo se aproximar mais perto, colocando a mão em minha cintura dizendo “e se eu te beijasse agora?” Fiquei sem resposta até ele enfim me beijar, nossa foi maravilhoso e ele como sempre foi carinhoso, talvez tive sorte em esperar até enfim encontrar a pessoa certa. Ficamos quase cinco minutos nos beijando e Paulo me deixou no ponto de ônibus e nos despedimos.

Depois desse dia, eu me sentia outra pessoa, parecia que estava preparada para um relacionamento, após aquele beijo, continuamos nos encontrado e outros beijos vieram até Paulo me pedir em namoro. Hoje estamos juntos quase um ano e quem diria que meu primeiro beijo foi aos 19 anos onde encontrei em uma livraria. Espero que outros venham e que Paulo seja a pessoa certa que por pouco tempo procurei.

Jogo politico transvestido de democracia


Depois de 23 anos, o Brasil está passando novamente em um processo de Impedimento, desta vez é com a presidente Dilma Rousseff, devido o crime das pedaladas fiscais, assim como Collor devido a compra de um FIAT Elba. Assim com Collor, Dilma também enfrentou uma pressão devido as consequências de seu governo. Alta inflação, corrupção e pressão da elite e dos empresários e critica aos seus governos. A diferença foi que Collor tinha uma unânime pressão das ruas e pouco apoio do congresso, enquanto Dilma tem apoio dos movimentos sociais e dos partidos que sempre estiveram junto com o PT.
No congresso, Collor teve uma derrota avassaladora no congresso, enquanto Dilma teve menor diferença de votos. Faço essas comparações porque em ambos, podemos ver o interesse e o jogo político do envolvidos nesse processo. Em 1992, PT, PSDB e PMDB se juntaram contra o governo Collor e solicitaram o pedido do impedimento. Hoje em 2016, PSDB, DEM (que na época era PFL) e PPS (Dissidência do PCB) foram os grandes articuladores para o impedimento da presidente da república. Collor tinha uma grande pressão e poucos aliados, enquanto Dilma ainda tinha um grande apoio, porém com o desgaste, isso veio se perdendo, começando com o rompimento do vice-presidente, assim como Collor. Itamar então, era do mesmo partido, até romper com então presidente e sair do PRN, filiando-se ao PMDB, que na época era oposição. Já com Dilma, o vice é do PMDB, que fora aliado do governo desde a gestão do Lula, mas com a chance de assumir o governo, rompeu com o PT para também ser oposição, junto aos que já faziam parte. Tempos depois, Collor renunciou e Itamar assumiu a presidência, enquanto Dilma poderá ser afastada após o inicio do processo pelo senado e Temer do mesmo PMDB de Itamar assume a presidência.

O que podemos analisar é o jogo politico que envolve a politica brasileira. Não gosto de falar o termo golpe em relação ao Impedimento da Dilma, mas vejo como uma manobra para uma mudança de poder, pois assim como Dilma, FHC chegou a sofrer o mesmo processo em 1999, porém foi arquivado pelo então presidente da câmara, Aécio Neves, do mesmo partido do presidente. Se Dilma e Cunha fossem aliados, esse processo não iria para frente, mas como o governo resolveu ir contra o presidente da câmara, Cunha então resolveu abrir o processo. O STF solicitou também contra o vice-presidente Michel Temer, mas Cunha irá recorrer, ou seja, talvez veremos o processo só pelo TSE, que segue lento. Enquanto isso, Cunha segue cheio de processos, porém ele e seus aliados fazem de tudo para que esse processo não siga adiante.

Não importa o crime que você comete, isso também vale para governos estaduais e municipais. Por mais que tentamos lutar contra isso, não conseguiremos acabar com a corrupção, principalmente enquanto houver o jogo politico e beneficiar aliados e prejudicar seus opositores. Dilma e Collor saíram prejudicados, enquanto Lula e FHC, que tiveram uma base, não. O jogo político está acima de tudo, basta ter aliados suficientes para sair inocente ou opositores para incriminado e enquanto tiver a questão do foro político, o jogo sempre será desse jeito, querendo ou não.


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Foto: Abril.

quinta-feira, 24 de março de 2016

As manifestações e a crise politica no Brasil



Neste último domingo para a mídia, a manifestação do dia 13 de março de 2016 foi a maior da história política do Brasil, passando até a manifestações das Diretas Já, mas os interesses políticos para os dias de hoje são bem diferentes das outras que fizeram parte da nossa política.

O cenário político hoje é o mais complicado e indeciso possível. A corrupção está em toda parte do nosso país, passamos por uma crise econômica com mais de 9 milhões de desempregados, considerada a maior dos últimos anos. A crise econômica está em quase todos os setores, além da alta do dólar. Podemos considerar como os principais problemas atuais em nosso país, pois ainda tivemos um mosquito que já era um problema com uma doença, agora traz três doenças, uma educação precária, com escolas abandonadas e professores mal remunerados e claro, a segurança, com um aumento de assaltos e assassinatos em alguns estados como o Rio de Janeiro por exemplo, isso faltando alguns meses para as olimpíadas. Com todos esses motivos, poderiam ter sido essas as principais reivindicações dessas manifestações, mas não foram.

Assim como toda democracia, toda manifestação é considerada legitima, mas o que vimos é um show de horrores e o famoso bordão como “faltaram as aulas de história”. Claro que a situação política que envolve o governo,sobretudo o Partido dos Trabalhadores gera motivos para irmos nas rua, mas o PT não é o único envolvido na corrupção que mancha a história do país desde a época da colônia. O que não podemos é culpar apenas um partido e isentar outros, como o PMDB, que sempre esteve no governo em quase todo o período desde a redemocratização em 1989, o PSDB, que também tem políticos citados na Lava Jato, além do roubo da merenda em São Paulo e o caso do "Tremsalão", além disso, outros partidos como PP, que até semanas atrás era o partido do Jair Bolsonaro e DEM, também fazem parte da história da corrupção do país. Esses não foram citados entre os milhões que foram para as ruas, apenas um grupo chegaram a vaiar Aécio Neves e o Geraldo Alckmin. Além disso, vimos também alguns grupos que defendem o fim do comunismo no Brasil, algo que não existe no país, como a intervenção militar e a volta da ditadura. Vendo essas coisas, fica até difícil de acreditar que ainda há pessoas que defendem isso.

Não há defesa ao PT, tenho criticas sobre a governabilidade deles, mas a maneira como as manifestações em se pautado, geram uma preocupação em relação ao rumo que podem tomar. Em algumas leituras, resolvi fazer uma pequena comparação das manifestações do último dia 13 com as manifestações de junho de 2013. O que vimos por exemplo nas manifestações nas manifestações atuais, começa com as lideranças que organizam o movimento, onde o objetivo é apenas por fim a um partido e sua ideologia, mas sem uma objetivo para um futuro impedimento. Muitos defendem uma linha conservadora e já posaram com outros nomes também envolvido na Lava-Jato, como o Deputado Eduardo Cunha. Esses grupos também tem apoio grupos ligados a movimentos pentecostais, ou seja, muitos querem uma alternância de poder, mas não uma solução, por isso, muitos deverão vir como candidatos nas próximas eleições, assim como aqueles que também iniciaram as manifestações de 2013, mas as pautas eram bem diferentes ou comuns como no dia a dia, como passagens baratas, melhorias na educação, saúde, segurança e saneamento, assim como outras coisas.

Precisamos pensar um pouco sobre isso e analisar a situação política do país, principalmente do que vamos absorver e analisar o que é verdade ou não. Esses grupos políticos, partidos, mídia e redes sociais querem impor o que seria bom para o nosso país, assim foi o PT quando era o oposição, chegaram ao poder e destruiu o sonho de muita gente e queimando sua própria história. Junto com eles, temos os partidos como PMDB, PSDB, DEM e entre outros, além de sub partidos como PPS, PSB, PR, PC do B e entre outros. Entre esses, devem ter pelo menos um envolvidos em corrupção ou pouco fizeram em suas cidades ou estados onde governos. Além disso, precisamos ter cuidado de nomes como Silas Malafaia, Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e entre outros, que utilizam discurso conservador, mas não apresentam propostas concretas para o país.

Lula assumirá a casa civil do governo Dilma, isso certamente fará crescer uma revolta nacional, e ampliará a possibilidade de protestos contra o atual governo, é um tiro no pé, pois apesar do argumento de que "Lula é um ótimo articulador político", a nomeação justo nesse momento indica um suposto travamento das investigações, algo que o Planalto sempre rechaçou. Isso complica portanto a situação do governo, afinal, á cada citação que for feita ao ex-Presidente, a ilação direta a Dilma será inevitável.


Essas manifestações podem ser legitimas, mas em sua maioria servem para defender interesses e em maioria, o povo que realmente padece e pede mudanças, não comparecem, e claro que é necessário também que as manifestações tenham uma ideologia não-seletiva, é preciso protestar também contra desvio de dinheiro de merenda e nos transportes, contra o calote e o desrespeito aos servidores públicos, contra os problemas que atingem as áreas de saúde educação e segurança nos estados. Precisamos mudar isso nas urnas para que o país mude, não podemos ficar elegendo os mesmos e seus parentes fazendo com que nada mude no nosso querido Brasil.


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Edição e Argumento: Joseclei Nunes
Edição Final: Adriano Garcia

Imagens: Estadão e Folha.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O mundo mágico dos jurados e suas justificativas



O pós carnaval de 2016 ainda repercuti, mas não estamos falando no assunto de corrupção envolvendo alguns jurados, porém eles sempre serão o motivo de muitas conversas e agora vem a questão das justificativas divulgada nessa semana pela Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) e pela Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIERJ) e desde os primórdios dos desfiles das escolas de samba, pouco se mudou na questão do critério das notas e no resultado do carnaval. Já ouvi comentários que os jurados andavam no meio do desfile para analisar os desfiles e hoje estão em módulos, mas será que mudou também os critérios de julgar algumas escolas como antigamente?

Algumas notas após apuração, já poderíamos perceber que nada mudou em relação de alguns anos. O que faz um jurado dar 9,9 para uma escola com um samba aclamado e 10 para um samba criticado? Foi o que aconteceu com a Imperatriz e com a Grande Rio. E na questão de aclamação de prêmios? Rute e Julinho é considerado o melhor casal da atualidade, recebendo vários prêmios, mas alguns jurados não viram isso, dando 9,8 para a Vila Isabel. Outros vícios também em relação a “bandeiras” e erros parecidos, onde uma escola recebe 9,8 e outra ganha 10. Salgueiro e Mangueira desfilaram com Abre-Alas apagado, A vermelha e branca perdeu décimos, enquanto a verde e rosa garantiu o dez, conquistando o décimo nono titulo do carnaval carioca. Outra questão vem das escolas vindas do acesso, que desde a São Clemente em 2011, uma escola não consegue permanecer, mesmo com bons desfiles como A Império da Tijuca em 2014 e agora com a Estácio e mesmo assim, recebem notas bem inferiores que outras escolas que sempre brigam pela parte de cima da tabela, com os mesmos erros em muitas das vezes.

Essas comparações não são os grandes problemas, ai começa o grande momento do pós carnaval que é a leitura dessas justificativas, para enfim entendermos o motivo de tais notas para uns, mas infelizmente, não há justificativas para as notas 10, onde acho que deviria ter, mas vamos começar com um Salgueiro com "muito vermelho e branco", uma Estácio que não agradou com seu "dragão com expressão de bondade" e uma recomendação para Vila Isabel com "apoio deve ater-se a função e não pular e dançar". E ainda teve a "bateria do mestre Ciça deu um show de criatividade" e a Beija Flor com várias premiações e ambas foram penalizadas pelo julgador, Assim como a Curicica pela imprensa na pista.

Ai vem as justificativas sobre os sambas, que para muitos, foram os melhores desse carnaval. Viradouro e Imperatriz não agradaram. "Confusão sonora" esta foi a justificativa do jurado de samba enredo para penalizar a Viradouro. Já a obra de Zé Katimba e cia foi considerada "morna" pelo julgador, enquanto o samba da Grande Rio, tão criticado, recebeu 10 do mesmo jurado, vai entender?

Essas notas e suas justificativas são uma incerteza sobre até onde podemos analisar o que seria correto ou não. Debates pós carnaval nos fazem entender o que podemos fazer para um julgamento mais correto para cada desfile, assim como seu critério, que é quase o mesmo desde os inícios dos desfiles na década de 30, com pequenas mudanças nas notas, por exemplo. Também é preciso pensar sobre a questão do que são julgados pelo caderno dos próprios jurados, entenderem o que eles realmente querem e claro uma justificativa mais clara sem viagens como “vermelho e branco” em uma escola vermelha e branca, como já ocorreram em outros anos com outras agremiações. Agora vem a questão do “peso da bandeira”, por exemplo uma bateria “atravessou” e o jurado dar 9,7 para uma escola vinda do acesso e 9,9 para uma escola que briga pelo título.

Precisamos mudar alguns critérios, dando mais credibilidade do julgamento, pois não estamos no século passado, ainda mais na era digital, onde tudo se ver e se comenta e algo diferente contra a opinião da maioria, começa gerar polemica. As Ligas precisam entender dessas mudanças, fazer um desfile mais competitivo, sem beneficiar qualquer agremiação. É preciso julgar todas como iguais, dar a mesma nota para aquela agremiação que teve o mesmo erro, como não aconteceu esse ano, assim, não estaremos falando todos os anos sobre isso. Agora sobre os jurados, é preciso comprometimento, uma análise mais justa, como aconteceu com Mestre e Porta Bandeira da Portela, algumas sobre a comissão de frente e os enredos da Mocidade e Grande Rio, mas sem viagens. Nas agremiações é preciso entender até que ponto pode inovar em seus desfiles. Pensar se coloca bossa ou não, encher o carro de som de interpretes, gritos de incentivo do puxador, alegorias com água ou não ou colocar em maioria do desfile, as suas cores de origem.

Independente de tudo, é preciso conversar até o próximo ano sobre esse formato de análises que todo ano gera polêmica no pós carnaval, e está ficando claro que é uma formula batida e não adianta colocar pontos quebrados, colocar ou retirar quesito, ou até mesmo mudar o julgador, que os erros irão continuar e a credibilidade vai diminuir, só ver, por exemplo, queda de transmissões dos desfiles. É preciso mudar e criar algo mais justo e igualitário pelo bem de todas as escolas de samba que trabalha o ano inteiro para apresentar o melhor desfile para todo publico, sendo amantes de carnaval ou não.

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Imagem: Salgueiro/Divulgação

terça-feira, 1 de março de 2016

A militância que vem das arquibancadas


Tempos atrás o futebol, principalmente em países na América Latina foi uma forma de controle de massa. O Brasil na época da ditadura usava a seleção brasileira como uma identidade nacional. Na própria história, até técnico foi demitido a mando do presidente, como no caso João Saldanha e Médici. Nos tempos de hoje muitos criticam aqueles que são apaixonados pelo Esporte Bretão, achando que seria pão e circo para uma o "povo sem cultura". Mas o futebol hoje, principalmente nas arquibancadas, vem se remodelando, com torcedores mais politizados e mais críticos com aqueles que por muito tempo usava as arquibancadas para ataques preconceituosos como homofobia, imigrantes, negros e outras minorias.

Primeiro começando com clubes de origens proletárias como o Bangu, clubes que lutaram contra o racismo, como o Vasco da Gama tem essa origem em sua história, mas hoje podemos ver nas torcidas que hoje lutam pelo preço abusivo dos ingressos, a criação das arenas, deixando de lato a classes mais pobres longe do seu time, além do monopólio da televisão e até mesmo contra o horário de transmissão. Apesar disso, também surgiram torcidas de cunho marxista e antifascista que lutam contra o racismo, homofóbica, imigrantes, refugiados e entre outros e claro na luta contra o futebol moderno.

Esses movimentos ficaram bem mais fortes após o ocorrido na Argentina em relação a lei dos medios e a transmissão das partidas na TV do governo. Como também de clubes como St Pauli e Schalke 04 da Alemanha, onde suas torcidas ultimamente aparecem em defesa de refugiados, homossexuais e a na luta contra o machismo e o Rayo Vallecano na Espanha. St Pauli por exemplo teve o primeiro presidente assumidamente gay, enquanto o Rayo foi o primeiro clube ter uma mulher no comando. Exemplo disso tem o Vasco que teve o primeiro presidente negro.

Nas torcidas, surgiram torcedores anarquistas e comunistas como os Ultras Resistência Coral do Ferroviário no Ceará e torcidas marxistas como Galo Marx, que seria o percursor desse movimento e hoje temos a Vasco Marx e Vascomunistas e a Fla Marx, como também surgiram as torcidas antifascistas como A Bangu, América RN e outros clubes.

Apesar dessas torcidas e o enfraquecimento das torcidas organizadas, começaram a surgir as "Barras Bravas", em relação as torcidas da argentina e os ultras na Europa. Torcidas como a Guerreiros do Almirante, do Vasco, Castores da Guilherme, do Bangu e entre outras são grande exemplo de “barra". Esses movimentos que já existiam na Europa e alguns países da América do Sul vem crescendo no Brasil, primeiro nas questões sobre os preços dos ingressos, os descasos das confederações, federações e nos próprios clubes, a exemplo do Bangu, que politicamente está nas mãos do Rubens Lopes e hoje tem sofrido uma forte resistência do grupo Reage Bangu, que é formado por torcedores que pedem mudança no estatuto e no próprio clube e no ultimo sábado houve um protesto contra a diretoria com faixas, onde pediram a polícia para que fossem retirado, mas a torcida não deixou. Outro momento importante veio em São Paulo com a Gaviões da Fiel, a principal torcida do Corinthians colocando faixas contra a corrupção da CBF, o monopólio da Rede Globo e contra o governo de São Paulo e mesmo apesar da resistência sofrida, eles mantiveram os protestos e pouco podem fazer, pois não há nada no estatuto que essas manifestações sejam proibidas e assim vai acontecendo por todo país.

Essas manifestações é positiva para o nosso futebol e para a evolução política no Brasil. Se antes, as torcidas iriam apenas para torcer ou para brigar, elas passaram se unir em prol das lutas sociais, do controle das transmissões da partidas e contra o aumento dos ingressos. Claro que haverá resistência entre o criticados, alguns torcedores não concordam com “essa junção”, mas o cenário político atual envolvendo a nossa sociedade e até mesmo no futebol fizeram que esse movimentos surgissem e a cada vez que tentarem calar esses movimentos, mais eles vão crescer e vão lutar contra aqueles que fazem tudo para deixarem fora das arquibancadas.

*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

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Imagem: Getty

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O ressurgimento da Tupy de Braz de Pina




15 de fevereiro de 2016 será uma data que alguns não irão esquecer. Foi data que a tradicional Tupy de Braz de Pina, umas das escolas mais antigas do carnaval carioca, confirmou o seu acesso para o Grupo D, a quinta divisão do carnaval carioca, ao conquistar a segunda colocação do Grupo. A agremiação que não desfilava desde 1998, voltou depois de 17 anos, quando desfilou ano passado, ficando com a sexta posição.

Originado de um time de futebol e de um bloco carnavalesco, pelos bairros da Penha, Penha Circular, Cordovil e Vista Alegre o Grêmio Recreativo Escola de Samba Tupy de Braz de Pina foi fundado na Rua Guaíba em 20 de janeiro de 1951, no bairro que lhe deu o nome. Em seus primeiros anos, desfilou apenas pelas ruas do subúrbio, até 1956, quando fez sua primeira apresentação na Praça Onze, desfilando sem concorrer e com as cores azul e branco, a escola ganhou notoriedade pela apresentação do samba “Seca do Nordeste” no carnaval de 1961, quando foi vice-campeã do Grupo de Acesso A, perdendo apenas para a Unidos do Cabuçu. A agremiação que teve um grande time de compositores como Nelson Bigode, Bahia, Jacir Santana, Capemba, Aquino dos Santos, dona Cila, João Magrinho e entre outros e teve em seu carro de som, o Grande Sobrinho, que foi apoio de Jamelão e também passou por escolas como Unidos da Tijuca, Unidos de Bangu e entre outras.

A trajetória da Tupy na história do carnaval carioca começou com o vice-campeonato do Grupo 2, em 1961, um dos grandes "sambas de enredo" dos carnavais cariocas: Seca no Nordeste, de autoria do carnavalesco Antonio José Soares. No estilo "prece-lamento", quando os sambas de enredo tinham um ritmo mais cadenciado que foram marcantes na década de 60, O samba de autoria de Gilberto Andrade e Waldir de Oliveira, fez grande sucesso e além da gravação oficial com o intérprete da Escola, também foi gravado por Jamelão, Ivan Lins e Clara Nunes.

“Sol escaldante,terra poeirenta
Dias e dias,meses e meses sem chover
E o pobre lavrador com a ferramenta agude
Dá forte no solo duro
Em cada pancada parece gemer
Hum...hum..hummm
Geme a terra de dor.”

Apesar do sucesso de 61, que garantiu o acesso, a escola não teve sucesso no ano seguinte, sendo rebaixada com o enredo Gonçalves Dias e suas memórias, ficando na ultima posição, retornando para o Grupo A, onde ficou até 1972, onde foi campeã com o enredo com o enredo escrito pelo carnavalesco Jairo de Souza, Chiquinha Gonzaga, alma cantante do Brasil e o samba escrito pelos compositores Alfredo Maia e Foguete.

“Apaixonada e atraída
Pela beleza
Das luzes da ribalta
Compôs de admirável
Partitura para opereta
A corte na roça
Dirigiu um concerto
De cem violões
Engalanando a platéia
Dos nobres salões
Nesta melodia
Vamos recordar
A maestrina
Da música popular.”

Em 73, a escola novamente seria rebaixada para o Grupo de Acesso, com enredo Assim dança o Brasil - Formação das danças brasileiras, autoria de Carlos de Andrade. Em 74, permaneceu no grupo, ocupando a sétima posição com o enredo Essa nega Fulô, até retornar para o Grupo Especial em 75 com o enredo Brasil, glória e integração, conquistando o vice-campeonato, vencido pela Lins Imperial.

Em 1976, apesar de toda dificuldade por causa do afastamento do presidente Gilsinho (acusado de mau uso da subvenção) a Tupy teve que fazer festas, almoços e reuniões para pagar segmentos. O samba foi bem recebido na voz de Celso Landrini, porém a escola desfilou após Em Cima da Hora, atrasada por causa de um temporal, atravessando o samba devido a um problema do cavaco, o puxador teve que parar de cantar e saiu sobre vaias, terminando no ultimo lugar e voltando para o Grupo de Acesso, ficando até 78, quando foi rebaixada para o Grupo B (Antigo A2), com o enredo Manôa, um sonho dourado. Em 79, novamente foi rebaixada com o enredo Folia, Folia!, ficando no grupo 2ª até 1987, com o enredo Marlene, a estrela maior, ficando com o vice-campeonato, atrás apenas da Paraíso do Tuiuti, onde ficou por apenas dois anos, sendo rebaixada para o Grupo B em 1989, com o enredo Rio boa praça, em 1994, com o enredo Sargentelli, hoje o show é na Avenida. Em 1995, a Tupy ficou na terceira posição, com o enredo Eu era Feliz e Não Sabia, caindo em 98, com Bornay, a Lenda Viva do Carnaval. Em 97, a escola caiu novamente com Brava gente brasileira e no ano seguinte, a agremiação parecia dar a volta por cima ao ser promovida voltou ao Grupo de acesso D. Contudo, foi esse o último ano da agremiação das cores azul e branco no carnaval carioca, que enrolou a bandeira.

Após 17 anos, a Tupy voltou ao carnaval, desfilando pelo Grupo E (Avaliação), reeditando o enredo de 1983, Mistérios das Matas com Ossam, Ossanha e Oxóssi, ocupando a sexta posição. E esse ano, novamente no Grupo é, a escola subiu para o Grupo D, com o enredo Tania Índio do Brasil - Destaque da Vida e do Carnaval, conquistando o vice-campeonato, atrás apenas da estreante Nação Insulana.

Parecia impossível mas o desejo de muitos do carnaval gostaria de ver novamente a Tupy e agora a escola em novo endereço na Penha circular volta ao carnaval e agora no grupo D, irá desfilar no domingo. Com certeza, estaremos torcendo pela Tupy e queremos a escola desfilando em breve na Marques de Sapucaí.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Passeio na estreia rumo ao bicampeonato

Com dois gols, Riascos foi o destaque vascaíno na goleada

Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)
 
Boa noite amigos vascaínos do Blog Jovens Cronistas. Mais uma temporada se inicia e mais um ano de Campeonato Carioca e para muitos de nós vascaínos, é o ano de defender o título conquistado no ano anterior, mas o ano de 2016 começa com o clube na Série B do brasileiro, porém a base do time foi mantido junto com o seu principal jogador, o Nenê.

Agora vamos a partida contra o Madureira, também rebaixado para Série D do Brasileiro. Apesar do baixo público na primeira rodada, foram quase nove mil vascaínos para a estreia do nosso amado clube da colina e logo no inicio da partida, o Vasco abriu o placar para alegria da nação vascaína. Nenê recebeu pela esquerda e conseguiu um ótimo passe para Riascos, que de cabeça, jogou no canto esquerdo do goleiro Rafael, sem chances de defesa. A alegria durou pouco, pois em uma falta aos 15 minutos, Daniel subiu sozinho na área e marcou o gol de empate. Martín Silva tentou defender, mas não conseguiu salvar o gol de empate do tricolor suburbano. O Vasco teve outras chances no primeiro tempo, mas o segundo gol só veio no segundo, em jogada pela direita, quando Luan fez um belo cruzamento para Andrezinho, que de ombro, colocou a bola para dentro do gol, deixando a equipe vascaína novamente na frente. Apesar da vantagem, o Vasco sempre buscou ampliar o placar. Aos 34 minutos, Madson sofreu pênalti de Gerley, e na cobrança, Nenê mostrou bastante categoria ao fazer o terceiro gol e aos 46 minutos, Nenê deu lindo passe para Éder Luis e o atacante vascaíno tocou para o meio da área, vendo Riascos completar para o gol, e fazer seu segundo gol na partida.

A estreia do Vasco foi positivo, o time taticamente teve uma pequena melhora, aproveitando as chances em suas finalizações. Claro que Riascos foi uma grata surpresa, assim do retorno de Eder Luis ao time. Claro que a equipe melhorou com a entrada de Pikachu, que deverá jogar no meio de campo, agora não sei se Eder entrará nesse time, mas poderá nos ajudar e muito no decorrer da temporada, pois sabemos que o objetivo é retornar a primeira divisão e como campeão, mas agora é pensar no bi carioca e o próximo objetivo será o América, que retorna a primeira divisão depois de cinco anos na próxima quinta às 19:30.

Saudações Vascaínas /+/

*Joseclei Nunes é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, politica, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

Imagem: Vasco (divulgação)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Primeira Liga rumo ao primeiro passo

Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)  

A primeira rodada da Copa Sul-Minas-Rio terminou, o publico compareceu, mas eu agora, o que podemos esperar para as próximas rodadas, ou para os próximos capítulos envolvendo os clubes, principalmente a dupla Fla-Flu, CBF e FERJ?

Podemos iniciar no inicio da década passada, quando CBF, Globos e as confederações resolveram criar um calendário para o futebol brasileiro, e distribuição de cotas de TV, terminando com os torneios regionais, como a Copa do Nordeste, Taça Rio-São Paul e Liga Sul Minas Rio, gerando uma revolta dos clubes com os envolvidos. Tempos depois, com enfraquecimento dos estaduais, brigas entre clubes, federações, confederação e emissoras de TV, alguns dirigentes optaram em retornar com os torneios regionais, começando pela Copa do Nordeste e a Copa Verde.

Com o sucesso dessas ligas, que tem a autorização da CBF, alguns clubes começaram se unir pela volta da Liga Sul Minas, mas com novos convidados, a dupla Flamengo e Fluminense, que nos últimos anos resolveram romper com a FERJ, que tem apoio de Vasco, Flamengo e os clubes pequenos do Rio de Janeiro.

A entrada da dupla começou uma queda de braço com a FERJ, até que Rubens Lopes, que tem interesse futuro em assumir a CBF, resolveu cortar o valor que seria distribuído aos dois clubes, dividindo entre as outras equipes do Campeonato Carioca. Depois ele solicitou a CBF para que vetasse a continuidade do torneio, que foi feito, colando apenas em caráter amistoso de pré-temporada, que pela regra seria até 30 de janeiro. Essa decisão gerou uma revolta entre os dirigentes dos clubes envolvidos, jornalistas esportivos e até nas redes sociais com a hastag #JuntosPelaPrimeiraLiga, além do apoio do Bom Senso, mas isso não durou menos de uma semana e os clubes venceram a primeira queda de braço contra a CBF e a FERJ, que queriam o torneio apenas para 2017, onde colocaram o torneio no calendário oficial, mas nessa temporada como torneio amistoso. Uma vitória para o futebol brasileiro, mas ainda é pouco.

Ainda é complicado para alguns defenderem a Primeira Liga, até mesmo aqueles que não se juntaram a esses clubes, assim como a dupla Vasco e Botafogo, como os clubes paulistas. Há um jogo de interesse para todos os lados, é claro, isso envolve briga de poderes, cotas de TV e entre outros problemas como publicidade, preço de ingressos e por ai vai.

Claro que isso não mudará a situação do futebol brasileiro, que agoniza, mas pelo menos podemos ter ainda uma ponta de interesses. Vimos em outras oportunidades criação do clube dos treze, assumindo o campeonato brasileiro de 1987 e depois com outra oportunidade da Copa João Havelange e deu no que deu. Outra questão que precisa deixar de lado, é a rivalidade entre os clubes, como aconteceu com Kalil do Atlético Mineiro e o Gilvan do Cruzeiro. A Primeira Liga não será a solução, mas é a oportunidade para que o que existe de ruim no futebol como o que temos na CBF e na FERJ percam forças e no futuro tenha uma mudança. Assim como na questão nos direitos de TV, terminando com o monopólio de um canal e colocando uma divisão mais digna entre as equipes, fazendo do torneio mais atrativo, como um campeonato mais competitivo, o aumento de renda dos clubes, além da permanência de jogadores.

Ainda é cedo para criar uma expectativa sobre o futuro da liga e como a posição futura de outros clubes e confederações, mas é claro que o caminho para a criação de uma liga nacional poderá ser um inicio para o nosso futebol, resta como a CBF deixará os torneios dos clubes, mas a exemplo que tem na Europa, tem dado certo, mas aqui ainda tem a questão da rivalidade, do poder, do interesse financeiro e não ter uma cota dividida entre outros clubes. Espero que eu possa está errado, pois eu torço pelo futuro da liga e se realmente for um sucesso, com bom publico e bons jogos, quem sabe não podemos ver nos próximos anos ligas como a Rio-São Paulo, mas ainda é cedo, mas o importante que os clubes de inicio desafiaram a CBF e a FERJ, que aceitou a continuidade dessa edição do torneio e vamos esperar e que isso der certo e que o futebol brasileiro retorne aos tempos de outrora
.
Reitero também a permanência dos estaduais, pois nossa história esta na essência e nas rivalidades locais. A solução é que possamos também olhar para os clubes de menor investimento, dando também oportunidades nas ligas regionais. Não adianta pensar apenas nos clubes “considerados grandes”, pois todos precisam participar nesse momento pela mudança no futebol e os “pequenos”, assim como o sistema dos estaduais devem ser, permanecem em seu calendário.

Abaixo a nota da FERJ sobre a Primeira Liga:


 
*Joseclei Nunes é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, politica, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

Imagem: Primeira Liga e FERJ
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

1967, ano do primeiro titulo do Campo Grande na era profissional

No destaque, Dadá Maravilha foi revelado e campeão pelo Campusca.

Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes

Hoje o Futebol Retro irá relembrar o primeiro titulo conquistado pelo Campo Grande, clube da Zona Oeste do Rio de Janeiro, no ano de 1967 com o Torneio José Trócoli, que foi disputado paralelamente a Taça Guanabara, competição onde o Campo Grande Atlético Clube conquistou participando na primeira divisão do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

O torneio foi disputado pelas equipes que não se classificaram para a fase final do Campeonato Carioca e além da primeira taça, o clube revelou Dadá Maravilha para o futebol brasileiro e mundial, quando foi transferido para o Atlético, o galo mineiro, já que o Campusca é o Galo Carioca, rumo ao sucesso. No Campo Grande, Dada Maravilha marcou 26 gols entre 1966 a 1968, incluindo gols nos juvenis e aspirantes.

O Campo Grande estreou no torneio contra o Bonsucesso no dia 22 de julho com vitória de 1x0, gol marcado pelo Hélio Cruz em partida realizada no Maracanã. No dia 30, novamente no Maracanã, a vitória foi contra o Olaria por 2x1, gols marcados por Norival e Adilson para o Campusca e Esteves para o Olaria. No dia 5 de agosto veio a primeira derrota para o São Cristóvão por 1x0, com gol de Juarez, em partida realizada novamente no Maracanã. No dia 12 veio a goleada contra o Madureira por 5x1 com os gols de Nodir e Valmir, dois para cada, Dadá. O Madureira fez o gol de honra com Nando, no Maracanã. Dia 16, veio mais uma vitória contra a Portuguesa por 2x0, gols de Norival e Biriguda, colocando o Campusca na decisão contra o Bonsucesso. Assim como na primeira rodada, o Campusca repetiu o placar por 1x0 com gol de Norival, conquistando o primeiro titulo do clube na era profissional, 27 anos após sua fundação em 13 de junho de 1940.

Além do primeiro titulo em 67, o Campusca também foi campeão do Torneio José Guimarães em 1969 e o titulo de maior expressão que foi o Campenato Brasileiro da Série B em 1982, além da série B carioca em 1985.

Hoje o Campusca tenta voltar a elite do futebol, disputando a terceira divisão do futebol carioca.

Abaixo a os jogos do Campo Grande e a classificação final do Torneio José Trócoli

CAMPO GRANDE 1 x 0 BONSUCESSO
Data: 22/07/1967
Árbitro: Jorge Paes Leme.
CAMPO GRANDE: Hélinho; Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival; Hélio Cruz, Ênio, Nodir e Nilson (Jairo).
BONSUCESSO: Jonas; Luís Carlos, Paulo Lumumba, Jurandir e Albérico; Amaro e Brandão; Gilbert, Jerônimo, Gibira e Dejair (Campista).
Gols: Hélio Cruz 33/2º

CAMPO GRANDE 2 x 1 OLARIA
Data: 30/07/1967.
Árbitro: Hélio Alves.
Expulsão: Ênio 27/1º
Gols: Norival 02/2º de pênalti e Adílson 27/2º ; Esteves 17/2º
CAMPO GRANDE: Hélinho; Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival; Hélio Cruz (Adilson), Ênio, Jairo e Nodir (Guaraci).
OLARIA: Ubirajara; Esteves, Miguel, Osmani e Nilton dos Santos; Hélinho e Eliseu; Naldo, Alcir (Adauri), Antoninho (Araújo) e Escurinho.

SÃO CRISTÓVÃO 1 x 0 CAMPO GRANDE
Data: 05/08/1967
Árbitro: Hélio Alves.
SÃO CRISTÓVÃO: Manga (Espanhol); Lauro, Aílton, Solimar e Édson; Edmílson e Fernando; Nei, Castilho, Juarez (Alexandre, depois Moisés) e Vinícius (Cláudio).
CAMPO GRANDE: Hélinho; Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival; Hélio Cruz, Ênio (Dario), Nodir e Nilson (Luís Paulo).
Gols: Juarez 18/1º pênalti

CAMPO GRANDE 5 x 1 MADUREIRA
Data: 12/08/ 1967
Árbitro: Aílton Sampaio Duque.
Expulsão: Marcílio
CAMPO GRANDE: Hélinho (Omar); Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival (Jofre); Valmir, Nodir, Dario e Adilson.
MADUREIRA: Carlinhos; Conceição (Luís Almeida), Joel, Russo e Pereira; Marcílio e Elmo (Nelsinho); Anísio, Nando (Roberto), Miguel e Altamiro.
Gols: Nodir 01/1º e 30/2º, Valmir 18/1º e 32/2º e Dario 25/2º; Nando 03/1º

CAMPO GRANDE 2 x 0 PORTUGUESA
Data: 16/08/1967.
Árbitro: José Ferreira de Souza.
Gols: Norival 17 de pênalti e Biriguda 21/2º
CAMPO GRANDE: Hélinho (Zamboni); Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival; Valmir (Biriguda), Nodir, Dario (Guaraci) e Adilson.
PORTUGUESA: Jurandir; Miguel, Simões, Beto e Zéca; Élcio e Colatina; Humberto, Guará, Pedro Paulo e Dida (Santos).

CAMPO GRANDE 1 X 0 BONSUCESSO
Data: 20/08/1967
Árbitro: Jorge Paes Leme.
Gol: Norival 14/1º
CAMPO GRANDE: Hélinho; Zé Oto, Guilherme, Geneci e Paulo; Romeu e Norival; Valmir (Biriguda), Nodir (Valmir), Dario e Adilson (Gil).
BONSUCESSO: Jonas; Luís Carlos, Paulo Lumumba, Jurandir e Albérico; Amaro e Ivo Sodré; Gilbert, Enos, Campista (Serginho) e Valdir.

1° Campo Grande AC, 8 pontos(campeão); 2° Bonsucesso FC, 6; 3° São Cristóvão FR, 5; 4° Madureira AC, 3; AA Portuguesa, 3 e Olaria AC, 3.

O Artilheiro do Torneio José Trócoli foi Antoninho do Olaria, com 7 gols.

Fontes: Wikipédia, Página do Campo Grande no Facebook e O Craque e as súmulas.

*Joseclei Nunes é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, politica, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

Imagem: Página Oficial do Facebook do Campo Grande
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