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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Projetando o Grupo F!




Artigo publicado no blog Jovens Cronistas: Clique aqui
 
Antes do sorteio da chave de grupos, ninguém poderia imaginar que a Argentina poderia ter uma chave com mais facilidades do que outras favoritas que estarão no famoso grupo da morte. Em uma chave com Bósnia, Nigéria e Irã, o caminho poderá ser mais fácil para a equipe albiceleste até as oitavas de finais. A outra vaga poderá ser decidida entre Bosnia e Nigéria e o Irã poderá ser a equipe que definirá a segunda classificada. Abaixo farei uma breve análise do que podemos encontrar em cada equipe que esta no Grupo F.


Argentina

Imagine um ataque com Di Maria, Higuain, Aguero e Messi? Seria bom se a defesa não preocupasse gerando muita desconfiança, uma difícil missão para Garay, Campagnaro e Cia. Além do goleiro Romero, que podem garantir lá atrás, enquanto Messi & Cia resolvem no ataque. Outra aposta da Argentina começou pela vinda do técnico Alejandro Sabella, que conquistou argentino e a libertadores com o Estudiantes para enfim trazer a taça, que não vem desde 1986.

Sabella porém, descartou Tevez que vive em uma boa fase na Itália e mesmo com apelo nacional, ele não foi convocado para a copa. O esquema tático que Sabella que talvez utilize para o torneio será 4-3-3, porém com muitas possibilidades de alterações de uma partida para outra. Duas linhas de quatro no 4-4-2 e o 5-3-2 já foram testados pelo treinador e poderá utilizar em momentos importantes no decorrer do Campeonato.
Nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa, a Argentina se classificou em primeiro. Foram 16 jogos, 9 vitórias, 5 empates, 2 derrotas, 35 gols marcados, 15 sofridos, sem contar as vitórias sobre Alemanha, Itália e Brasil nos amistosos.

Bósnia

Primeiro pela briga da segunda vaga do grupo, a Bósnia trocou o comando, Safet Susic sucedia o Croata Blazevic. Com oito vitórias em dez jogos, primeiro do grupo, trinta gols feitos e seis sofridos em uma campanha sólida e pouco exigidos. Com destaque para Dzeko, craque do time que com dez gols foi o vice-artilheiro das Eliminatórias Europeias. Outros destaques da Bósnia, são os meias Misimovic, Lulic e Pijanic e o atacante Ibisevic.

A Bósnia entra em duvida em qual tática será usada:  4-2-3-1 ou 4-3-1-2, mas talvez optará no esquema 4-4-2, enfatizando o meio decampo com Pjanic e Misimovic que fazem a bola chegar nos pés de Dzeko e Ibisevic. A Bósnia dependerá do talento de Dzeko e do toque de bola para chegar as oitavas.

Irã.

Candidato a saco de pancadas do grupo. É uma equipe pouco experiente e que possui poucos jogadores que jogam fora de sua liga nacional. Indo para sua quarta copa, a primeira em 1978, a equipe Iraniana trouxe o  técnico português Carlos Queiroz, que costuma realizar grandes trabalhos por onde passa e treinou Portugal em 2010. O destaque do time será o atacante Dejagah, que jogou na Bundelisga e o volante Javad Nekounan. O Irão contará também o a jovem promessa de 19 anos Sardar Azmoun.

O esquema tático de Queiroz será o 4-4-2, mas indo para 4-2-3-1, fechando duas linhas de quatro sem a posse de bola. Fechando a parte defensiva, a equipe Iraniana utilizará a velocidade e partir em um contra-ataque, passando por Nekounan que fará as principais jogadas aéreas para a bola chegar ao ataque.
A inexperiência em copas ainda será um problema para a seleção do Irã, mas com Carlos Queiroz no comando e a força do sistema defensivo, poderá ser um problema para equipes que estão brigando pela segunda vaga nas oitavas.

Nigéria

Outra que briga pela segunda vaga. É a atual campeã africana e vem mostrando um bonito futebol, mas não foi bem na Copa das Confederações em 2013. A equipe pode contar com alguns jogadores de boa qualidade como o volante John Obi Mikel e Victor Moses e um ataque com Ahmed Musa e Emmanuel Emenike que será o ponto forte para a classificação.

O esquema tático da Nigéria pode ser o 4-3-3, mas nos últimos amistosos, os águias variaram entre  4-2-3-1 e  4-4-1-1 recuando Moses e Musa na linha do meio de campo ao lado dos volantes Mikel e Onazi. Na partida contra o México, Michael Uchebo atuou como "ponta de lança" a frente da segunda linha Nigeriana, encostando como um segundo atacante ao lado de Emenike.

A Nigéria irá depender do ataque para conquistar alguns pontos preciosos para conseguir a vaga para as oitavas.


É isso amigos, essa foi a análise de possibilidades para o Grupo F, minha cobertura dos jogos se inicia já neste Domingo, espero vocês.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cristina Kirchner e a derrota da mídia golpista argentina


"A Lei não é para controlar ninguém, mas para impedir que o povo seja controlado." Cristina Kichner sobre a Ley de Medios, que regulamenta a mídia na Argentina.

Texto de Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

América Latina assistiu, neste final de semana, a um dos capítulos mais sólidos do processo de fortalecimento democrático do continente. No domingo (23), 54% dos argentinos respaldaram a atual gestão de Cristina Kirchner. A vitória acachapante da atual presidente, que concorria à reeleição, é uma mostra do avanço dos povos latino-americanos rumo a uma administração independente, com crescimento econômico respaldado por maior justiça social e soberania.

Esse movimento progressista na América se estende por mais de uma década, tendo como expoentes no continente os governos de Argentina, Bolívia, Brasil, El Salvador, Equador, Nicarágua, Paraguai, Uruguai, Venezuela, além de Cuba – que há meio século desafia o governo estadunidense, responsável pelo criminoso bloqueio econômico imposto à ilha. Historicamente considerados “quintal” dos Estados Unidos, esses países romperam com o Consenso de Washington vigente durante a década de 1990 e ousaram reivindicar a independência dos povos, tendo como prioridade os avanços na área social e a consolidação do vitorioso processo de fortalecimento de uma América Latina soberana, que caminha para a superação das desigualdades e injustiças do continente.

A vitória de Cristina Kirchner também deveria servir de lição ao Brasil. Ela representa uma dura derrota da mídia monopolizada e manipuladora, que ergueu seu império durante a ditadura militar argentina. Os meios de comunicação, em especial o poderoso Grupo Clarín, fizeram de tudo para desestabilizar e derrubar o governo de Cristina, rotulado de “populista e esquerdista”.

A mídia golpista chegou a insuflar um locaute dos barões do agronegócio, que paralisou e desabasteceu o país. Durante todo o seu governo, a imprensa produziu factóides, travestindo-se de “ética”, para desgastar a presidenta. Ela nunca reconheceu os avanços políticos, econômicos e sociais do governo. Filhote da ditadura, a mídia nunca abandonou o receituário neoliberal.

Mas Cristina Kirchner não se dobrou à pressão da imprensa golpista. Nunca ficou de “namoricos” com os donos da mídia. O seu governo submeteu ao debate na sociedade uma nova lei sobre comunicação, a famosa Ley de Medios. O novo marco regulatório, aprovado em outubro de 2009, determina o fim do monopólio na rádio e TV e incentiva a pluralidade e diversidade informativos.

O grande triunfo foi baseado fundamentalmente no crescimento econômico que o país atravessa, na ausência de uma oposição unificada, e pelo fato de o primeiro período do governo de Cristina Kirchner (2007-2011) "ter se mantido dentro dos limites do populismo", considerou o professor de relações internacionais Carlos Romero, da Universidade Central de Venezuela.

"Essa esquerda populista tem sido uma característica de nossa política (na América Latina) em todo o século XX e nesta parte do século XXI", com uma forte presença do Estado e do partido oficial, ressaltou.

Para quem, enfim, ainda se pergunta pelas razões da vitória de Cristina Kirchner, um pouco de números talvez ajude a encontrar a resposta. Para começo de conversa, a economia cresce ao ritmo de mais de 6% ao ano. O desemprego é baixo, a maior parte dos trabalhadores chegou a acordos que asseguraram ganhos salariais reais, os programas sociais do governo atendem a milhares de famílias. Um dos muitos subsídios atende a três milhões e meio de menores de 18 anos de idade, com a única condição de que freqüentem a escola e façam as vacinações obrigatórias. Em quatro anos – entre 2007 e 2010 – a pobreza baixou de 26% a 21,5% da população.

A oposição feroz dos grandes conglomerados dos meios de comunicação, a resistência desrespeitosa dos grandes magnatas do campo, as chantagens dos grandes barões da indústria, a virulenta má vontade das classes mais favorecidas, tudo isso somado não foi capaz de abalar o prestígio da presidente. Ela conquistou apoio de amplas faixas do eleitorado mais jovem, abriu espaço junto aos profissionais liberais, recebeu o voto massivo dos pobres.

Tudo indica que o terceiro mandato do partido Peronista na Argentina vai aprofundar as mudanças iniciadas em 2003. Oxalá que assim seja e que possamos tomar como exemplo os avanços conseguidos pelo país vizinho. De acordo com Patricio Echegaray, secretária-geral do Partido Comunista da Argentina, em artigo publicado em seu blog, a mudança estrutural no capitalismo da Argentina “é a única forma de impedir a ofensiva restauradora das direitas ou uma possível descomposição que pode afetar o chamado projeto nacional”.

 

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