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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Seja a exceção da regra



Hoje faz dois anos e três meses que estou desempregado. Nesse período fiz cursos onlines, estudei dois idiomas, me formei na faculdade, leio três a cinco livros por semana e mudei meu currículo três vezes. Tudo seguindo as regras dadas pelos "coachings" do Recursos Humanos. E qual foi o resultado? Continuo desempregado.

Como muitos que estão na procura de uma recolocação, eu tenho contas a pagar, um filho para criar e tenho que me alimentar. Talvez hoje se não fosse a ajuda da família, estaria numa situação bem crítica na vida, ou seja, vivo o pior momento da minha vida, onde meu filho mora em outro estado, não o vejo há um ano e meio, não posso ajuda-lo financeiramente e muito menos poder está perto e acompanhar a sua fase de crescimento, onde ele cresce sem a presença de um pai ausente por força maior. Isso tudo é um motivo para está em depressão, algo que diariamente tento enfrentar para não entrar de vez. Imagina essa minha história contadas por outros tantos que devido ao desemprego e falta de oportunidade perderam suas casas, suas vidas ou foram para o caminho errado.

Mas voltando ao início do artigo. Quando perdi o emprego, acreditei que isso seria algo passageiro e que voltaria em breve ao mercado de trabalho, principalmente na área de educação onde estava me formando em história. Entreguei 50 a 100 currículos por dia, me cadastrei em diversos sites de empregos, entrei em grupos do Facebook, segui pessoas ligados ao Recursos Humanos no LinkedIn. Toda regra seguida pelos "especialistas" e nenhum resultado. Essas regras não são para todos, vale para aqueles que tem uma renda para investir nisso e tempo para pesquisar e ter o currículo de agrado para aqueles querem ver o que ensinam, fora isso, se não faz parte desse ciclo, com certeza é excluído do sistema.

Para nós que estamos desempregados, há regras, talvez parecidas com aqueles que tentam uma vaga no mestrado. Hoje o currículo precisa seguir regras de formatação, palavras chaves e um bom resumo, assim talvez isso chama a atenção dos recrutadores. sendo apenas o básico, já que por baixo disso, vem o preconceito. Anos atrás, o Jornal Extra publicou uma reportagem que empresas do Centro e da Zona Sul do Rio de Janeiro não estariam mais contratando moradores da Zona Oeste e da Baixada Fluminense por causa do transporte, do trânsito e da violência. Isso prova que o local que você mora é mais importante que a sua experiência. Basta ver hoje os anúncios com pré-requisito como morar próximo uma passagem ou modal, sendo que mais de 80% das vagas são nesses lugares, como fácil acesso ao Metrô, que não tem nos locais de maior população. Além disso, hoje as empresas e recrutadores entram nas suas redes sociais e dependendo do que podem encontrar, descartam seu currículo automaticamente. Sem falar do preconceito em questão de raça, gênero e ideologia que também te elimina por informações básicas, exemplo o meu currículo que tem formação em história e no momento polarizado do país, pode significar que eu seja de esquerda. No livro como conquistar e manter emprego do Vladimir Crivelini, o autor falou que quase deixou de contratar um funcionário por ser gordo por achar que não exerceria tal função, mas desistiu da ideia, contratou e ele fez um bom serviço e foi promovido em seis meses. Por pré julgamento, ele nem seria contratado e não teríamos essa história. Quantas pessoas não tiveram essa oportunidade por isso?

Muitas pessoas falam que isso é apenas uma fase, que eu precise acreditar e persistir para chegar ao sucesso como conseguir um novo emprego. Talvez eu vivo o meu momento em questão de conhecimento, mas se depender dessas pessoas, não vou chegar ao êxito e vou acabar vivendo na informalidade e no subemprego. O que me resta é catar latas, vender balas na rua ou escrever livros e artigos para gerar uma renda. Acreditar que estarei empregado novamente virou quase uma ilusão da minha vida, pois pelo visto, sou uma exceção dessa regra imposta e garanto que tenha milhões de pessoas parecidas com a minha história, onde por mais que busque, talvez não tenha oportunidade por pré julgamento ou por não ter uma oportunidade de buscar o que eles desejam. Então amigos, vamos ser a exceção e buscar o nosso com as nossas pernas e sem dependência daqueles que nos avaliam ou fingem avaliar se está apto ou não.

sábado, 30 de setembro de 2017

Esta na hora de parar de procurar emprego

Quando eu fui demitido em no inicio de agosto de 2015, tinha um filho recém nascido e pensei que seria apenas uma fase e que em breve estaria novamente empregado e talvez até na área que estava prestes a me formar (Licenciatura em História). Passou mais de dois anos e continuo nas estatísticas do desemprego. Consegui me formar, mas infelizmente meu filho foi morar em outro estado, no outro extremo do país.

Nesse período em que estou desempregado, talvez tenha feito de tudo. Fiz cursos online, estudei idiomas, li vários livros sobre dicas de currículos, como se comportar em uma entrevista, fazer networking, ter seu perfil no linkedin acessível e entre outras coisas para me recolocar, mas nada disso aconteceu. Não sou chamado para uma entrevista há mais ou menos um ano e meio (não vou contar no que fui chamado há dois meses e o recrutador nem sequer apareceu), quando fui chamado era para cargos inferiores a minha formação, onde não passava nem na fase da apresentação. Meu currículo chamou atenção apenas daquele que não fazem analise como empresas de vendas externas, marketing multinível e corretores de imóveis, ou seja, cargos sem carteira assinada, onde tenho que ganhar através de comissões.

Sobre a minha formação, até é complicado de opinar. Sem emprego, é complicado de me especializar, como fazer mestrado ou até uma pós-graduação. As pessoas que formaram comigo, já tinham seus empregos e seguiram em suas áreas, outros não continuaram e conseguiram empregos em outras áreas. Os que continuaram na área e acreditem, só me procuram para beber. Com a crise do Rio de Janeiro (Cidade e Estado), não abre concursos, escolas particulares fecharam as portas e quando tem vaga, pede experiência. Como um recém-formado vai conseguir lecionar? Nem mesmo os famosos cursinhos ou até monitoria, eu tentei e também não consegui vagas, muito menos uma entrevista.
Na área em que trabalhei, a administrativa, consegue se pior que a área da educação. Em sites de empregos, tenho uma concorrência de mais de 500 pessoas. Muitas dessas empresas nem olha para quem mora longe (eu moro na Zona Oeste do Rio de Janeiro), pois pensam e passagem, violência local e problemas no transporte público para pelo menos te chamar numa entrevista, onde nunca consegui uma entrevista sequer, ou melhor, quando mandam uma mensagem, fala que meu currículo não está no perfil (leio a descrição da vaga e se tem os requisitos, eu envio, mesmo assim, mandam).


Essas coisas infelizmente te desmotivam, você não consegue ver uma luz no fim do túnel e desacredita que voltará a trabalhar com carteira assinada, seja ela da sua formação ou da sua experiência. Talvez tenha feito de tudo para me recolocar, mas infelizmente não tive sucesso. Então começo que está na hora de esquecer que eu voltarei a trabalhar e começo em alternativas. Não posso ir para os aplicativos, já que não tenho habilitação. Já pensei em abrir uma consultoria de vistos consulares, mas não tenho dinheiro para fazer toda a documentação.  Aulas particulares? Até pode ser, mas quem vai querer apoio em história. Uber Eats? Outra boa alternativa, mas preciso consertar a bicicleta, mesmo assim, onde moro, não tem ninguém cadastrado e o que me resta é escrever, pois talvez seja a única forma que eu sei fazer, por isso que vou parar de procurar emprego, pelo menos com esse desejo de que vou conseguir pelo menos uma entrevista. Vou investir em colunas, artigos e livros de romance e não-ficção, já que nos tempos de hoje, é fácil publicar, mesmo sem ter nada em investir. Claro que terei uma pequena dificuldade de encontrar pessoas para revisar e editar meus textos, mas creio que seja a única e talvez a ultima te tentar me levantar. Caso não consiga também, vou vender bala no trem e catar latinhas na rua. Essa é a solução.

*José Nunes (@JosecleiNunes) é colunista do site Esportes Mais e Co-Fundador da União Brasileira dos Deístas. Escritor, graduado em história. Ama futebol e um bom papo de botequim.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O fracasso do Bangu na “Operação Loco Abreu”

Loco Abreu disputou dez partidas pelo Bangu, marcando apenas três gols, além desperdiçar duas das três cobranças de pênaltis que teve a oportunidade ao longo da competição
Foto: Bangu/Divulgação
Texto publicado no site Esportes Mais: Clique Aqui

No fim de novembro, o Bangu anunciou como reforço para o Campeonato Carioca o atacante uruguaio Loco Abreu, que jogou no Brasil pelo Grêmio, Figueirense e Botafogo, onde é ídolo, além de jogar duas copas pela sua seleção. Com 40 anos, Loco foi uma das táticas de colocar o alvirrubro de volta ao cenário nacional, com isso, o clube lançou no mercado uma proposta de ocupação do espaço nobre de sua camisa para o essa temporada, já que também jogará o Campeonato Brasileiro da Série D.

Com o Loco, o departamento de marketing do time bolou várias ideias que para o pensamento deles daria lucro a instituição.  As ideias seria vender o espaço por R$ 400 mil pela temporada, oferecendo outras propriedades, dando visibilidade ao patrocinador como placas no estádio de Moça Bonita e no Centro de Treinamento do time da zona norte do Rio e dando direito a banners nas redes sociais e no site oficial do Bangu, além de oferece backdrop na sala de entrevista coletiva, 20 ingressos cortesia por partida e envelopamento do ônibus do time, desde que respeitadas as cores do clube, tudo na imagem do uruguaio.

Chegando final de dezembro, Loco foi apresentado e outra ideia da diretoria seria a venda de camisas do clube, juntando a idade do clube e a camisa do uruguaio, se tornando 113. Na sua apresentação, o Bangu vendeu 350 camisas em um mês, 50% de todo o estoque vendido em 2016. Além da venda de camisas, foi lançado o programa de sócio-torcedor “Partiu Bangu”, custando R$ 29,90 com objetivo de ter mil torcedores em dois meses e a própria plataforma de venda na internet, criando novas receitas para não depender das cotas de TV, que então era a única fonte de renda do clube. A sua apresentação foi transmitida ao vivo da página do Esporte Interativo no Facebook, chegando a 205 mil visualizações, mostrando o interesse do fã de esporte ao uruguaio. Chegando 2017, foi criado a “Operação Loco Abreu”, onde o time conseguiu atrair a atenção da mídia, melhorou a média de público e fez o clube vender centenas de camisas como não vendia há tempos, mas nem tudo são flores e o Campeonato Carioca começou e daí veio a parte técnica.

Na estreia do Bangu contra a Portuguesa em Moça Bonita, festa da torcida, bom público, mas veio o empate, com direito a gol do Loco na estreia com a camisa do time, depois vieram as derrotas para Vasco (em casa) e Fluminense (fora) e o empate com o Volta Redonda. Sem vitória nas quatro primeiras rodadas, o Bangu demitiu o técnico Eduardo Allax e em seu lugar trouxe Arturzinho, jogador do clube nos anos 80 e ídolo, que deu a primeira vitória do time na Taça Guanabara contra a equipe do Resende, porém ficou pouco tempo no comando, pedindo demissão após a derrota para o Nova Iguaçu no Quadrangular Extra por questões internas, onde comentaram nos bastidores que o técnico teria discutido com uruguaio.

Veio a Taça Rio e com Roberto Fernandes no comando, o Bangu novamente passou vexame, com três derrotas, um empate e uma vitória, esquentando o clima em Moça Bonita, com os torcedores protestando durante os jogos e muitas vezes gritaram o nome do ex-comandante, criticando o atacante uruguaio. Restando duas rodadas para o fim da Taça Rio, o Bangu estava brigando para não ir a seletiva, o público diminuiu e Loco Abreu acabou rescindindo seu contrato com a equipe, não atuando na vitória contra o Macaé e a derrota para o Madureira, voltando para o Uruguai, jogando de graça em um clube da segunda divisão.

Loco Abreu disputou dez partidas pelo clube, marcando apenas três gols, além desperdiçar duas das três cobranças de pênaltis que teve a oportunidade ao longo da competição, o  projeto de marketing não teve sucessos e segundo os bastidores deverá ser cancelado, além disso, o clube perdeu o patrocinador máster após a saída do uruguaio e não ganhou novos torcedores e nem trouxe os moradores do bairro de volta ao estádio. Além disso, perderá dois milhões dos quatro da TV para o Estadual ano que vem devido a décima colocação do time esse ano.

Todo projeto em cima do atacante uruguaio foi por água abaixo. O time não fez um elenco a altura para conseguir conquistar novos torcedores, contratou mais dois estrangeiros que não atuaram no time, ficou a espera do Almir, que continua em recuperação e com chances de encerrar a carreira e dependeu de um elenco fraco para fazer vergonha no estadual, justamente no ano que a equipe volta a disputar uma competição nacional depois de anos, onde será iniciado no mês que vem contra o Villa Nova-MG.


Agora a diretoria precisa de novos rumos se quiser fazer bonito no campeonato tem planejado, pois tudo que fizeram para trazer o Bangu de volta ao cenário nacional, deu errado, mas espero que isso sirva de exemplo para que não se repita no segundo semestre e que coloque o time na Série C de 2018 com um planejamento mais sério e sem “achismo”.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Editorial - Refletindo sobre o Mundial de Clubes


Criado em 1960 o torneio teve diversos nomes e formatos entre os participantes até o formato atual realizado pela primeira vez em 2005. Após onze anos do torneio sobre o comando da FIFA, o formato volta a ser questionado e comentado entre diversos diretores da entidade e jornalistas esportivos. Muitos questionam sobre o desinteresse dos clubes europeus e do enfraquecimento das equipes sul-americanas, que venceu apenas com o Corinthians após a mudança ao formato atual. Qual seria o formato ideal para que o torneio seja mais atrativo e mais competitivo entre os participantes?

Nos primeiros anos do torneio e com o nome Copa Intercontinental entre as equipes vencedoras dos torneios da América do Sul e da Europa. De 1960 a 1979, as partidas eram realizadas em dois jogos, uma na Europa e outra na América do Sul. A partir de 1980 o nome do torneio mudou para Copa Toyota em partida única realizada no Japão nos anos de 1980 a 2001 realizadas na cidade de Tóquio e 2002 a 2004 em Yokohama, mas com o mesmo formato entre vencedores dos dois continentes.

No Fim da década de 90, a FIFA resolveu assumir o torneio, realizando o primeiro torneio entre os clubes, adicionando outras confederações e o campeão do país sede. Em 2000 foi realizado esse torneio com oito participantes no Brasil. O formato foi de dois grupos de quatro, o campeão de cada grupo se classificava na final e o segundo para disputa do terceiro colocado. Em 2001 o torneio seria realizado na Espanha, porém, retornou apenas em 2005 com o formato de mata-mata, sem o clube campeão local e dois anos em cada país, mas com o formato garantido as equipes da América do Sul e Europa nas semifinais. Em 2009 o campeão do país sede foi adicionado ao torneio, participando de um playoff para se classificar ao torneio para as quartas de finais, sendo o formato atual do campeonato.

Vários formatos e sedes aconteceram no mundial de clubes. Nos últimos anos vimos a soberania dos clubes europeus e o enfraquecimento das equipes sul-americanas. Com a globalização e o mercado da bola mais favoráveis as equipes da Europa, outras equipes acabam perdendo seu principais jogadores após conquistarem seus títulos continentais, ficando mais fracos na participação do torneio. Mesmo assim há críticas as equipes campeãs da América do Sul, pois estando garantidas na semifinal do torneio, não representa mais classificação para a final como no passado e em três ocasiões foram eliminados para equipes do país sede. Outro desfavorecimento seria contra as equipes da CONCACAF, sempre enfrentando equipes da Europa, e financeiramente vivem momento um pouco melhor que as sul-americanas, mas sem tradição nos torneios, assim como a Ásia por causa do futebol chinês que está investindo pesado para fortalecer a liga local e ser uma das principais forças do continente.

Por essas questões e outras, precisamos repensar sobre o formato do torneio. Teoricamente é ruim para o calendário de ambos, seja o mês escolhido. Nesse ponto é comentado um torneio aos moldes da Copa do Mundo, realizados a cada quatro anos ou até dois anos. Aumentar o número de participantes como os campeões da Liga Europa, Copa Sulamericana e outras ligas secundárias de outros continentes, além de colocar os vices de cada torneio. Muitos formatos são estudados e na minha opinião o melhor formato seria de grupos como em 2000, mas com semifinal e final, mas isso será conversado nos próximos anos e pelo que vejo nos noticiários esportivos, em 2019 será com um formato diferente. Agora resta acompanhar e opinar até la.

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*José Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em história. Ama futebol, política e um bom papo de botequim.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Santa Cruz - Do fundo do poço ao renascimento


Setembro de 2010, o Santa Cruz perdia para o Guarany de Sobral por 2 a 0 e era eliminado da Série D, a quarta divisão, a ultima divisão do futebol profissional no Brasil, além disso, as contas do clube estavam no vermelho e as (poucas) receitas de bilheteria foram penhoradas. Maio de 2016, o Santa Cruz conquistou a volta a Série A, conquistava o principal título da sua história, a Copa do Nordeste e na semana seguinte, conquistou também a o bicampeonato do Campeonato Pernambucano em cima do principal Rival, o Sport Recife.

Levantando esses troféus, o Santa Cruz consolidou uma história de superação que culminou com a volta à Serie A do Brasileirão após dez anos e nesse processo de colocar o clube novamente na principal divisão do futebol brasileiro, a sua torcida foi o principal integrante para a reconstrução do clube e a atual gestão do Santa Cruz promoveu uma grande mudança no time e em 2015, quando assumiu o comando do clube, o presidente Alírio Morais avisou logo que na sua administração a relação com a torcida coral seria horizontal, direta e prioritária. E assim tem sido.

Apesar da grande gestão do atual presidente e ajuda de sua torcida, a reconstrução do clube pernambucano começou em 2011, quando disputava a Serie D pelo segundo ano consecutivo, tendo a força de sua torcida tendo a maior média de todas as divisões e em outubro, o clube garantia a vaga da Série D, porém perdia o título para o Tupi de Minas Gerais e Entre 2011 e 2013, o clube conquistava também o Tricampeonato Pernambucano e no ano do Tri, o Santa conquistava o título da Série C, em cima do Sampaio Correa do Maranhão dentro do Arruda para a alegria da sua torcida. Em 2014, o clube completou 100 anos, mas não conseguiu o pernambucano, perdendo para o Sport e bateu na trave no acesso a Séria A, mas em 2015, com uma reformulação da diretoria e da equipe, com Alirio Moraes que assumiu a presidência do clube o Santa voltou a conquistar o estadual e no segundo semestre enfim voltaria a elite do futebol brasileiro, vencendo o Mogi Mirim e em 2016, mesmo não começando bem a temporada vinha enfim a glória: a Copa do Nordeste e o bicampeonato estadual para a alegria de sua torcida tão apaixonada pelo clube.

O renascimento do Santa Cruz não foi do dia para noite. Diretoria e torcida se uniram para colocar o clube em seu devido lugar, veio o programa de sócios, chegando a 13 mil associados, além disso,  após 13 anos, trouxe de volta atacante Grafite, campeão da Libertadores e do Mundial pelo São Paulo em 2005 jogador da Copa de 2010 pela Seleção Brasileira, que foi um dos hérois na volta à Série A, mas a chegada do atacante só foi possível por meio de parcerias e com isso as receitas aumentariam. Em 2015, com uma arrecadação de R$ 15 milhões, entre bilheteria, patrocínio e direitos de televisão. Em 2016 e a previsão estimada é de R$ 40 milhões pela disputa da Série A, Copa do Brasil e Copa Sulamericana.

Quando o Santa Cruz estava preso na quarta divisão do futebol brasileiro, dificilmente algum torcedor imaginou que em pouco tempo a situação do clube seria tão boa. Desde 2011, quando os pernambucanos deixaram a Série D para trás, até o dia dois de maio de dois mil e quinze, o clube reconquistou seu status de time de primeira divisão, venceu cinco edições do campeonato estadual em seis anos. O clube chegou muito próximo do fundo do poço, e nada como um inédito título regional e mais um estadual para servir de exemplo para o resto do país que estaria de volta a elite do futebol brasileiro, com a importância sublinhada por Grafite, que voltou com o objetivo claro de ser campeão e conseguiu. “Com certeza para mim é o maior título”, disse, em entrevista ao Esporte Interativo.
Ainda é muito cedo para imaginar o futuro do clube, pois vimos um presidente correndo atrás, falando ao torcedor que acreditem, devem vir novos reforços, melhorar o Arruda e captar investimentos, além de uma cota de TV melhor para que o clube seja um dos principais clubes do Nordeste e no Brasil. Claro que torcedor apaixonado pode acreditar, pode sim sonhar com uma Copa no Brasil, uma vaga na Libertadores e até mesmo um título intercontinental com a Sulamericana. O Santa Cruz está indo no caminho e com a ajuda da diretoria e da torcida, outras noticias boas irão acontecer e que setembro de 2010 sirva de exemplo para muitos clubes e nós mesmos no dia a dia.


Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim.

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O ódio e Jair Bolsonaro


No dia 14 de abril, na votação do impedimento da presidente Dilma Roussef na Câmara dos deputados, um comentário durante a votação gerou repulsa a muitos brasileiros. O discurso do Deputado Federal Jair Bolsonaro lembrando o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Mas apesar do discurso, a página do então torturador no inicio da década de 70 cresceu de admiradores e com isso nomes como Marighella e Lamarca voltaram a ser comentados entre aqueles que hoje se denominam anti-comunistas, que é uma das principais pautas de ataques da família Bolsonaro.

Mas não só os comunistas são atacados. Há anos, outras minorias como negros, LGBTs, Índios, Mulheres e entre outros são atacados pela sua militância, pois é bem comum ver postagens contra cotas, ações sociais como Bolsa Família e a maioridade penal. Esses discursos de ódio em sua maioria vêm na base de “memes”, palavras de baixo calão e sem argumentos, quando são refutados, eles atacam te chamando de “petralhas”, “feminazis”, “comunistas de merda” e entre outras coisas como “vai para cuba” e etc. Mas no que de fato Bolsonaro e seus seguidores podem incomodar para o futuro da política brasileira?

Jair Bolsonaro será candidato a presidente em 2018 e seu filho, Flávio Bolsonaro candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro esse ano. Até a publicação, o pai está mais ou menos com 6% nas intenções de votos, ocupando a quarta posição e o filho tem 5% na quinta posição. Politicamente, eles não terão representatividade e nem apoio político para que alcancem os postos no executivo, porém a cada discurso da família, cresce o o número de simpatizantes, basta analisar o numero de votos pré e pós as redes sociais que veremos a diferença. Antes, tinham votos fixos, de determinadas classes, hoje conseguem ser os mais votados devido ao crescimento de simpatizantes, que entre eles são aqueles que acham que os comunistas vão tomar o Brasil, algo que nunca aconteceu nem na ditadura e nem no governo PT, além do incomodo da militância LGBT e feminista, que apenas lutam por seus direitos, algo que supostamente a família é contra.

Nessa base, podemos ver o que eles hoje representam para seus militantes e defensores. Claro que Bolsonaro quer holofotes e minutos de fama, mas seus discursos viram um mantra para quem defende suas falas e com isso, já é costume vermos nas redes sociais discursos de ódio, além de ataques para aqueles que tanto criticam. Muitos deles talvez estejam cansados pela crise política, a violência diária e toda corrupção que está acontecendo no Brasil, mas muitos acabam vendo nele uma solução, o que evidentemente não é, assim analisamos que muitos deles, tem pouco conhecimento político e econômico ou até nenhum nota-se isso nos discursos,  essas pessoas achando que é o remédio para a doença que supostamente se chama comunismo, achando por exemplo, que existe um plano bolivariano, junto com o Foro de São Paulo para tomar o Brasil e América do Sul. Além disso, aplaudem tudo que eles postam em suas redes sócias. Jair por exemplo nos debates é fácil de contradizer e ser refutado, assim como na entrevista no Jô Soares e na resposta da revista Nova Escola, quando ele resolveu criticar a educação e o tal “kit gay” que ele tanto fala, com isso e até pensamentos fascistas, usa-os como uma forma de se promover, aumenta com seu discurso autoritário  o ódio aos comunistas, as minorias e tudo social que tenha sido feito nos últimos anos, lembrando um pouco a política inicial de Hitler e Mussolini após a primeira guerra, é bem preocupante.

Esses discursos vêm afetando o dia a dia do brasileiro. LGBTs continuam sendo agredidos nas ruas, pessoas aos vestirem vermelho ou até ao comprarem livros de cunho comunista, são hostilizados pelo simples fato de usar algo que contradiz o pensamento deles e além disso, políticos, artistas e militantes de esquerda são agredidos verbalmente nas redes sociais e estabelecimentos como restaurantes e aeroportos e ninguém da família Bolsonaro, por exemplo, se posiciona para que essas coisas não acontecem, alias, colocam mais lenha na fogueira, como uma postagem do Jair, comentado sobre as manifestações em seu apartamento, mostrando mais ódio entre seus seguidores e provocando para um confronto entre as militâncias.
Esse discurso vindo da Família Bolsonaro e sua militância realmente preocupam, mas como diminuir isso? Talvez dar menos ibope aos seus comentários ou tentar cassar seu mandato, mas nenhuma das duas opções se concretizará e assim ficarão mais fortes, podendo enfim ganhar uma eleição para cargo executivo e alguma eleição futura. Então precisamos pensar até quando vai a libertinagem verbal do Bolsonaro, analisar até que ponto influenciará para a sociedade, que de fato, é carente de “heróis”, seja ela qual for. Claro que para ele, como político e até o uso de seu marketing, vai ganhando notoriedade na política, algo que ele não tinha antes das redes sócias, sem aprovar nenhum projeto em quase 20 anos no legislativo, porém suas palavras têm grande poder, podendo gerar conseqüências sérias como mortes e tragédias.

*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim.

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Foto: Agência Brasil.

Por mais Leiceters no futebol



Dois de maio de dois mil e quinze será uma data surpreendente e histórica até para o mais confiante torcedor apaixonado pelo seu clube, será a data em que o Leicester conquistou o primeiro título do Campeonato Inglês, a Premier League. Título conquistado de forma antecipada, restando duas rodadas para o fim do campeonato. Claro que o título dos foxes é uma grata e bela surpresa ao futebol inglês e mundial, é a prova que o futebol não vive apenas de bilhões em contratações e formações de supercraques para conquistar títulos e torcedores.

Os foxes quebraram a escrita de 20 anos, quando o Blackburn Rovers foi campeão, fora isso, apenas Arsenal, Manchester United, Chelsea e Marchester City conquistaram a Premier League, sendo que os últimos citados conquistaram devido aos bilhões investido para formação de Super elenco e o Leicester com um elenco bem inferior, sendo a quarta menor da temporada quebrou a regra, apesar de ser uma bela surpresa até para o técnico Claudio Ranieri e elenco, que após escapar do rebaixamento da temporada anterior, o objetivo dessa temporada seria também escapar da degola, mas a história foi bem diferente e agora eles jogarão a UEFA Champions League, para alegria daqueles que ainda acreditam no futebol e que o acaso pode acontecer, mesmo com todo dinheiro e glamour que ele nos trás, mas o futebol ainda vive e o Leicester é a prova disso.

Apesar da conquista não é uma exceção em nosso futebol, mas é menos comum como antigamente. A ganância de montar super elencos, interesses financeiros de jogadores, a elitização e os direitos de televisão diminuem as chances para que essas equipes de menor investimento tenham êxitos no futebol, seja o torneio que for realizado. De fato é complicar tempos de outrora para os tempos de hoje, mas temos conquistas recentes como a do Wolfsburg, campeão Alemão em 2009 e Montpellier na França em 2012, assim como a Grécia campeã da Eurocopa em 2004. Em tempos mais antigos na Inglaterra, temos o Derby County campeão em 72 e Nottingham Forest em 78, ambos com o lendário técnico Brian Clough, além do Ispwish Town em 62 e sem esquecer do Porto, campeão da UCL em 2004.

A América do Sul também tem suas surpresas, com Lanús conquistando o primeiro título do argentino em 2007, assim como Banfield ao conquistar em 2009, revelando o meia colombiano James Rodriguez e Arsenal de Sarandí campeão em 2012, além dos títulos do Olmedo, campeão equatoriano em 2000 e Cobresal em 2015.

 Já dentro do cenário intercontinental, as surpresas foram o título do Atlético Nacional, primeiro colombiano campeão da Libertadores em 2009, depois veio com o Once Caldas em 2004. Assim como a Colômbia, o Chile conquistou o primeiro e único titulo com o Colo Colo em 1991 e Equador com a LDU em 2008.

No Brasil, as surpresas foram poucas, mas temos o Guarani campeão Brasileiro em 78, Coritiba em 85, onde teve o Bangu como finalista e Brasil de Pelotas como semifinalista. Em 87, veio o primeiro título nacional do Sport e em 88 com o Bahia, sem contar o título da Taça Brasil, conquistado na década de 60 e fechando com o Atlético Paranaense em 2001, fora isso, as surpresas vieram na Copa do Brasil com Criciúma em 91, Juventude em 99, Santo André em 2004 e Paulista em 2005, além de surpresas como Bragantino no inicio da década de 90, Portuguesa em 96 e São Caetano, no início do Século XX, conquistando o campeonato estadual em 2004, apesar que o paulista tem o Ituano em 2013 e a maior zebra considerada que foi o titulo da Inter de Limeira em 1986 sobre o Palmeiras.

O título do Leicester foi importante para repensarmos o futebol e o caminho que vai seguindo. Clubes são comprados por bilionários, sem nenhuma identificação, jogadores que mudam de camisa, sem ter uma própria história, além de times que garimpam jogadores de países com poder financeiro bem menor como moeda de troca, além de formar seleções com astros para aumentar seu poderio e conquistar títulos e torcedores que nem sequer acompanhará o time e outras coisas mais que afasta muitos do futebol.

Agora ver uma cidade pequena, com um time sem expressão, que na temporada passada brigava para não cair e na temporada seguinte conquistar o titulo do torneio mais rico do mundo, com um elenco que não chega a metade do valor de um jogador de um time que gasta bilhões e joga de igual para igual mostra que o futebol ainda vive e que nem tudo é movido a dinheiro e que acima de tudo, a paixão pelo clube, mesmo que modesto, vale mais do que Reais, Barcelonas, PSGs, e por ai vai. Claro que nos tempos de hoje, isso é bem incomum de acontecer, principalmente aqui no Brasil, onde há uma enorme diferença daqueles que se considerados grandes com aqueles que médio e pequeno porte. Talvez não veremos um Santa Cruz, atual campeão da Copa do Nordeste conquistando um nacional, até mesmo o Campinense, campeão do mesmo torneio em 2013, assim como clubes tradicionais como Bangu, América, Juventus e entre outros.

Mas é preciso pensar e que o Leicester hoje seja o inicio ou a volta daquilo que fez muitos se apaixonarem pelo esporte, e claro que o que mais queremos é um futebol mais igualitário para todos e que mais clubes como Wolfsburg, Montepllier e entre tantos clubes conquistem mais títulos jogando com a alma, com a garra e a torcida sempre ao seu lado, não deixando nunca o futebol morrer.


*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim.

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Imagens: Getty. 


terça-feira, 1 de março de 2016

A militância que vem das arquibancadas


Tempos atrás o futebol, principalmente em países na América Latina foi uma forma de controle de massa. O Brasil na época da ditadura usava a seleção brasileira como uma identidade nacional. Na própria história, até técnico foi demitido a mando do presidente, como no caso João Saldanha e Médici. Nos tempos de hoje muitos criticam aqueles que são apaixonados pelo Esporte Bretão, achando que seria pão e circo para uma o "povo sem cultura". Mas o futebol hoje, principalmente nas arquibancadas, vem se remodelando, com torcedores mais politizados e mais críticos com aqueles que por muito tempo usava as arquibancadas para ataques preconceituosos como homofobia, imigrantes, negros e outras minorias.

Primeiro começando com clubes de origens proletárias como o Bangu, clubes que lutaram contra o racismo, como o Vasco da Gama tem essa origem em sua história, mas hoje podemos ver nas torcidas que hoje lutam pelo preço abusivo dos ingressos, a criação das arenas, deixando de lato a classes mais pobres longe do seu time, além do monopólio da televisão e até mesmo contra o horário de transmissão. Apesar disso, também surgiram torcidas de cunho marxista e antifascista que lutam contra o racismo, homofóbica, imigrantes, refugiados e entre outros e claro na luta contra o futebol moderno.

Esses movimentos ficaram bem mais fortes após o ocorrido na Argentina em relação a lei dos medios e a transmissão das partidas na TV do governo. Como também de clubes como St Pauli e Schalke 04 da Alemanha, onde suas torcidas ultimamente aparecem em defesa de refugiados, homossexuais e a na luta contra o machismo e o Rayo Vallecano na Espanha. St Pauli por exemplo teve o primeiro presidente assumidamente gay, enquanto o Rayo foi o primeiro clube ter uma mulher no comando. Exemplo disso tem o Vasco que teve o primeiro presidente negro.

Nas torcidas, surgiram torcedores anarquistas e comunistas como os Ultras Resistência Coral do Ferroviário no Ceará e torcidas marxistas como Galo Marx, que seria o percursor desse movimento e hoje temos a Vasco Marx e Vascomunistas e a Fla Marx, como também surgiram as torcidas antifascistas como A Bangu, América RN e outros clubes.

Apesar dessas torcidas e o enfraquecimento das torcidas organizadas, começaram a surgir as "Barras Bravas", em relação as torcidas da argentina e os ultras na Europa. Torcidas como a Guerreiros do Almirante, do Vasco, Castores da Guilherme, do Bangu e entre outras são grande exemplo de “barra". Esses movimentos que já existiam na Europa e alguns países da América do Sul vem crescendo no Brasil, primeiro nas questões sobre os preços dos ingressos, os descasos das confederações, federações e nos próprios clubes, a exemplo do Bangu, que politicamente está nas mãos do Rubens Lopes e hoje tem sofrido uma forte resistência do grupo Reage Bangu, que é formado por torcedores que pedem mudança no estatuto e no próprio clube e no ultimo sábado houve um protesto contra a diretoria com faixas, onde pediram a polícia para que fossem retirado, mas a torcida não deixou. Outro momento importante veio em São Paulo com a Gaviões da Fiel, a principal torcida do Corinthians colocando faixas contra a corrupção da CBF, o monopólio da Rede Globo e contra o governo de São Paulo e mesmo apesar da resistência sofrida, eles mantiveram os protestos e pouco podem fazer, pois não há nada no estatuto que essas manifestações sejam proibidas e assim vai acontecendo por todo país.

Essas manifestações é positiva para o nosso futebol e para a evolução política no Brasil. Se antes, as torcidas iriam apenas para torcer ou para brigar, elas passaram se unir em prol das lutas sociais, do controle das transmissões da partidas e contra o aumento dos ingressos. Claro que haverá resistência entre o criticados, alguns torcedores não concordam com “essa junção”, mas o cenário político atual envolvendo a nossa sociedade e até mesmo no futebol fizeram que esse movimentos surgissem e a cada vez que tentarem calar esses movimentos, mais eles vão crescer e vão lutar contra aqueles que fazem tudo para deixarem fora das arquibancadas.

*Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, política, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

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Imagem: Getty

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Primeira Liga rumo ao primeiro passo

Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)  

A primeira rodada da Copa Sul-Minas-Rio terminou, o publico compareceu, mas eu agora, o que podemos esperar para as próximas rodadas, ou para os próximos capítulos envolvendo os clubes, principalmente a dupla Fla-Flu, CBF e FERJ?

Podemos iniciar no inicio da década passada, quando CBF, Globos e as confederações resolveram criar um calendário para o futebol brasileiro, e distribuição de cotas de TV, terminando com os torneios regionais, como a Copa do Nordeste, Taça Rio-São Paul e Liga Sul Minas Rio, gerando uma revolta dos clubes com os envolvidos. Tempos depois, com enfraquecimento dos estaduais, brigas entre clubes, federações, confederação e emissoras de TV, alguns dirigentes optaram em retornar com os torneios regionais, começando pela Copa do Nordeste e a Copa Verde.

Com o sucesso dessas ligas, que tem a autorização da CBF, alguns clubes começaram se unir pela volta da Liga Sul Minas, mas com novos convidados, a dupla Flamengo e Fluminense, que nos últimos anos resolveram romper com a FERJ, que tem apoio de Vasco, Flamengo e os clubes pequenos do Rio de Janeiro.

A entrada da dupla começou uma queda de braço com a FERJ, até que Rubens Lopes, que tem interesse futuro em assumir a CBF, resolveu cortar o valor que seria distribuído aos dois clubes, dividindo entre as outras equipes do Campeonato Carioca. Depois ele solicitou a CBF para que vetasse a continuidade do torneio, que foi feito, colando apenas em caráter amistoso de pré-temporada, que pela regra seria até 30 de janeiro. Essa decisão gerou uma revolta entre os dirigentes dos clubes envolvidos, jornalistas esportivos e até nas redes sociais com a hastag #JuntosPelaPrimeiraLiga, além do apoio do Bom Senso, mas isso não durou menos de uma semana e os clubes venceram a primeira queda de braço contra a CBF e a FERJ, que queriam o torneio apenas para 2017, onde colocaram o torneio no calendário oficial, mas nessa temporada como torneio amistoso. Uma vitória para o futebol brasileiro, mas ainda é pouco.

Ainda é complicado para alguns defenderem a Primeira Liga, até mesmo aqueles que não se juntaram a esses clubes, assim como a dupla Vasco e Botafogo, como os clubes paulistas. Há um jogo de interesse para todos os lados, é claro, isso envolve briga de poderes, cotas de TV e entre outros problemas como publicidade, preço de ingressos e por ai vai.

Claro que isso não mudará a situação do futebol brasileiro, que agoniza, mas pelo menos podemos ter ainda uma ponta de interesses. Vimos em outras oportunidades criação do clube dos treze, assumindo o campeonato brasileiro de 1987 e depois com outra oportunidade da Copa João Havelange e deu no que deu. Outra questão que precisa deixar de lado, é a rivalidade entre os clubes, como aconteceu com Kalil do Atlético Mineiro e o Gilvan do Cruzeiro. A Primeira Liga não será a solução, mas é a oportunidade para que o que existe de ruim no futebol como o que temos na CBF e na FERJ percam forças e no futuro tenha uma mudança. Assim como na questão nos direitos de TV, terminando com o monopólio de um canal e colocando uma divisão mais digna entre as equipes, fazendo do torneio mais atrativo, como um campeonato mais competitivo, o aumento de renda dos clubes, além da permanência de jogadores.

Ainda é cedo para criar uma expectativa sobre o futuro da liga e como a posição futura de outros clubes e confederações, mas é claro que o caminho para a criação de uma liga nacional poderá ser um inicio para o nosso futebol, resta como a CBF deixará os torneios dos clubes, mas a exemplo que tem na Europa, tem dado certo, mas aqui ainda tem a questão da rivalidade, do poder, do interesse financeiro e não ter uma cota dividida entre outros clubes. Espero que eu possa está errado, pois eu torço pelo futuro da liga e se realmente for um sucesso, com bom publico e bons jogos, quem sabe não podemos ver nos próximos anos ligas como a Rio-São Paulo, mas ainda é cedo, mas o importante que os clubes de inicio desafiaram a CBF e a FERJ, que aceitou a continuidade dessa edição do torneio e vamos esperar e que isso der certo e que o futebol brasileiro retorne aos tempos de outrora
.
Reitero também a permanência dos estaduais, pois nossa história esta na essência e nas rivalidades locais. A solução é que possamos também olhar para os clubes de menor investimento, dando também oportunidades nas ligas regionais. Não adianta pensar apenas nos clubes “considerados grandes”, pois todos precisam participar nesse momento pela mudança no futebol e os “pequenos”, assim como o sistema dos estaduais devem ser, permanecem em seu calendário.

Abaixo a nota da FERJ sobre a Primeira Liga:


 
*Joseclei Nunes é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, politica, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

Imagem: Primeira Liga e FERJ
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os direitos de transmissões dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro



Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

Faltam apenas nove dias para o carnaval e o inicio dos desfiles das Escolas de Samba, que começa na sexta Grupo de Acesso A e depois no domingo com o grupo especial. Apesar de toda tensão do pré-carnaval, além alegorias em período de finalização, entrega de fantasias e apostas de quem será campeã e volta para os desfiles das campeãs, outro assunto vem sendo comentado, aliás, já é um assunto bem comentado nos últimos anos no carnaval, que seriam a as transmissões dos desfiles e os direitos de televisão envolvendo os envolvidos.

Desde 2013, a Globo passou a transmitir apenas no Rio de Janeiro, os desfiles do Grupo A, que até então, passava em outras emissoras, enquanto o canal transmitia os desfiles de São Paulo. Para muitos de nós sambistas e envolvidos no carnaval foi bem positivo, porém, com dezenove agremiações, o canal optou em transmitir a partir da terceira e quarta escola e passar um compacto das primeiras após o termino da ultima escola, porém isso foi comentado e esse formato foi repetido nos anos de 2014 e 2015. 

Já no Grupo Especial, o canal passava os desfiles na integra, repassando os direitos dos desfiles das campeãs para outra emissora (Band e SBT), mas em 2014 ela resolveu passar os desfiles na TV Fechada, no Canal Viva, que pertence ao Grupo Globo começando uma pequena revolta entre os sambistas. Ano passado ela resolveu usar formato que tinha no Grupo A, levando para o Grupo Especial e além disso, terminando de vez as transmissões do desfiles das campeãs, acompanhando apenas pela internet, em seu portal de notícias, o G1. No fim do mesmo ano ela resolveu se meter mais no carnaval, querendo transmitir os desfiles a partir da terceira escola de cada dia, prejudicando as agremiações como Estácio de Sá, União da Ilha, Vila Isabel e Salgueiro, colocando apenas um compacto após o termino da ultima agremiação, gerando uma grande revolta entre as escolas envolvidas. Agremiações, sambistas e componentes foram até as redes sociais protestando contra a decisão da Globo, que teve que acatar, mesmo assim, não vai transmitir a primeira escola de cada dia (Estácio e Vila Isabel), transmitindo o desfile na integra no fim das ultimas escolas.

Após esse período, muitos comentaram essa situação envolvendo a transmissões dos desfiles e os envolvidos que passam os direitos televisivos. A cada ano a Globo tem dado poucos espaços as escolas nos desfiles, apesar de algumas divulgações em seus telejornais como o RJTV e Bom Dia Rio, além das famosas vinhetas que passam no intervalos de sua programação, mas  em si, a transmissão vem perdendo o espaço em sua grade de programação. Claro que essa discussão será longa e muitos de nós teremos que ver o que seria melhor para cada um.

Apesar disso, na parte do carnaval vem crescendo a cada ano. Como a especialização sobre tema, chegada de livros enriquecendo a história cultural do carnaval e isso poderia aprimorar para dentro da transmissão, porém isso não tem acontecido. Não sei detalhes sobre a negociação entre a Globo e a LIESA, mas sei que a emissora tenta interferir na questão dos desfiles, como diminuição do tempo de desfile, alegorias e componentes, gerando revolta entre os dirigentes de algumas agremiações. Claro que a Globo primeiro pensa em seu interesse e para manter as transmissões, que vem perdendo a cada, oferece propostas que seriam “cruéis” para o carnaval. Um desfile com menos componentes, por exemplo, pode gerar perda de rendas para as escolas, que em muitas delas ainda dependem, por exemplo, de renda vinda da prefeitura e até mesmo da própria emissora. Outro fato seria colocar o inicio dos desfiles para mais tarde (em São Paulo, creio eu, começa 23 horas), mas as escolas também não concorda pela questão de encerrar o desfile na luz do dia, apesar que na história, há desfiles antológicos sobre a luz céu, como a Mocidade em 1996.

É claro que ambas precisam entrar em acordos, principalmente para o carnaval. A Globo como detentora dos direitos poderiam fazer isso, como faz em relação a outros esportes e até eventos como o Rock in Rio, repassando os desfiles para canais de seu grupo como Multishow, GNT, +Globosat e entre outras, como também colocar no Pay Per View, já que nesse intervalo na temporada do futebol brasileira também seria uma boa, alem de repassar os direitos de desfiles para canais online como o youtube, onde ano passado retirasse todos os desfiles, podendo trazer um publico mais especifico e apaixonado como vimos no tênis e no automobilismo. Também precisa renegociar os direitos dos desfiles das campeãs, algo que se tornou o costume para muitos, principalmente para os que acompanham os desfiles na Intendente Magalhães, usando o mesmo formato que citei para os desfiles ou mesmo para uma emissora com a TV Brasil.

Ainda veremos muitos capítulos sobre esse tema, mas espero que todos saiam felizes e que o carnaval continue mais forte para o bem de todos. 

*Joseclei Nunes é fundador e editor do blog Futebol Retrô. Escritor, graduando em História. Ama futebol, politica, escolas de samba e um bom papo de botequim. 

Imagem: Getty
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

As passagens aumentam e quem paga a conta é você

O aumento das passagens foi de 11,7% no Rio de Janeiro
Por Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)


Assim como todo inicio do ano, as passagens aumentam, porém esse ano ela chegou a R$ 3,80, tendo um aumento de 11,7% aprovado pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). Seu secretário de Transportes, Rafael Picciani sem cumprir algumas promessas que ele prometera em sua gestão como toda frota com ar condicionado, além da redução da frota de ônibus, com cortes de linhas para a zona sul do Rio, principalmente nas linhas vindo da Zona Norte. Também está previsto o aumento nas barcas, nos trens e até no metro.

As barcas subirão em 12 de fevereiro, de R$ 5,00 para R$ 5,60 (Praça 15-Araribóia), alta de 12%. A tarifa social passará de R$ 3,50 para R$ 4,10. As datas de reajuste são diferentes por causa dos contratos. O metrô, atualmente em R$ 3,70, só deve ter alta em abril. Os reajustes das três concessionárias da Agetransp devem sempre ser anunciados com pelo menos um mês de antecedência. Mas quem ganha com o aumento das passagens?

Esse aumento ocorreu após o governo federal anunciar o aumento do salário minimo de 8,83% em 2015 (de R$ 724 a R$ 788), ou seja, uma porcentagem maior do que o trabalhador assalariado. Além disso, esse aumento lucrará mais ainda para os empresários de ônibus, onde costumam financiar as campanhas eleitorais dos candidatos de quase todos os partidos da prefeitura, com exceção do PSOL, que abriu um processo para vetar o aumento e não aceitam doações de empresas.

Utilizando o comentário do candidato a governador em 2014 pelo PSOL Tarcisio Motta: "a mobilidade urbana é um direito de todo cidadão, mas no mundo em que vivemos se transformou em mercadoria cara e lucrativa para um pequeno grupo de empresários que controla as concessões públicas. (...) A opção pelo rodoviarismo no transporte público da cidade do Rio de Janeiro aliada à falta de transparência e controle sobre as planilhas das empresas gerou uma situação onde os donos das empresas de ônibus ganham tudo e quem paga a conta é o trabalhador carioca. Vejam vocês: isenção de ICMS, redução do ISS de 2% para 0,01%, redução do IPVA pela metade e agora, 13,3% de aumento na tarifa! Isso é um assalto! O Ministério Público e a Defensoria Pública já se manifestaram, afirmando que vão questionar o aumento na justiça, mas nós sabemos que é a mobilização popular que pode barrar mais esse absurdo", falo sobre o enriquecimento de Jacob Barata, de 83 anos, conhecido como “Rei dos Ônibus”, que segundo o artigo do vereador pelo Rede-RJ Jefferson Moura (Clique Aqui) teria “participação em 16 empresas de ônibus municipal no Rio. Entre 2006 e 2007, o HSBC “private bank” de Genebra, na Suíça, indicava que Jacob mantinha US$ 17,6 milhões em uma conta conjunta com a esposa Glória e os filhos Jacob Júnior, David e Rosane.” Jefferson Moura ainda comenta sobre as oligarquias: Se existem “perdas” para os empresários do setor de transportes, por que o povo tem que tapar este rombo? Por que as oligarquias políticas que comandam o Rio acham que é normal que no período de crise o povo tenha que se sacrificar e pagar mais caro pelo transporte? Se há uma crise, o povo não deveria ser poupado? Por que os lucros dos empresários são garantidos pela Prefeitura e o suor dos trabalhadores tem que bancar o aumento? E as transferências de recursos públicos para estes empresários de transportes, por que nós pagamos essa conta?

Os lucros das empresas estão mantidos, Paes, assim como o secretário municipal de transporte Rafael Picciani, o PMDB e seus aliados continuarão recebendo doações para suas campanhas, lembrando que esse ano haverá eleições municipais e eles querem continuar no governo, mas o povo, principalmente o trabalhador que mora na Zona Oeste e Norte pagará as contas com ônibus precários, sem ar condicionado, além de segregar esses moradores, cortando ônibus para Zona Sul, dificultando sua a ida às praias por exemplo. Além dos ônibus, não temos para onde correr. Os trens pioraram nos últimos anos na gestão da SuperVia, não cumprindo horários, apresentando problemas diários, além da superlotação, onde muitos dos carros tem ar condicionado desligado.

A prefeitura não aprendeu com as manifestações de 2013 e naquela época, a passagem era de 2,75, ou seja, em dois anos tivemos um aumento de 1,05, mas nesse mesmo tempo, não vimos melhoras nos ônibus. Agora precisamos pensar nas eleições e vejamos para quem realmente a gestão Paes beneficiou, pois no inicio do ano que vem, quem sabe chegaremos na passagem acima de 4 reais, sem nenhuma mudança na mobilidade urbana do Rio de Janeiro.

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

A aparência realmente importa?


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Será que no mundo de hoje ainda podemos analisar as pessoas ou até objetos pelo simples fato de julgar como é, em vez de realmente conhecê-la?

No mundo e na sociedade que vivemos, estamos ficando mais narcisistas, consumimos produtos pelo simples fato de ser aceitos na sociedade, mas será que realmente somos felizes em mostrar o que realmente não somos e porque alguns ainda julgam o livro pela capa.

A questão da aparência hoje está em todos nos lugares na sociedade, envolvendo classes sociais, estilos de música, cor da raça e até mesmo em receber um presente só pelo simples fato da embalagem ser bem apresentado?

Assim como a psicóloga clínica e terapeuta de casal e família da PUC/RJ Viviane Lajter Segal. “Vivemos em uma sociedade em que ter é mais importante que ser. Um exemplo é a ênfase cada vez maior na beleza e estética com uso desenfreado de cirurgias plásticas e dietas radicais inclusive entre jovens.” Quem do seu lado hoje não tem um celular de ultima geração, assim como a roupa da moda ou até mesmo aquele carro importando só pelo simples fato de está dentro de uma sociedade que impõem a ter isso. Assim como ter aquela cor ou corte de cabelo utilizado por uma atriz em uma novela ou em um comercial de beleza. A mídia de fato faz você buscar a beleza e ser como aquela famosa.

Essa seria a grande questão de entender a nossa sociedade, que está ficando mais narcisista e em maioria, o conteúdo vira uma coisa secundária. Um exemplo nos tais aplicativos de relacionamentos como Tinder, Badoo, Kickoff e entre outros. Muitos desses “apps” criam várias maneiras de unir as pessoas, porém peca no mesmo erro, pois de que adianta um usuário colocar em seu perfil que tem um gosto musical, gosta de frequentar lugares cultos se não tem uma boa aparência? Vira mais uma pessoa invisível que não estaria nos padrões da sociedade e teoricamente deixaríamos de conhecer aquela pessoa que tem tudo a ver com você, só pelo simples fato de julgá-lo pela aparência.

Outro fato de gostaria de analisar é sobre os esportes femininos. Com o Pan Americano sendo realizado em Toronto no Canadá, assim como o mundial de feminino e os torneios de Grand Slams de Roland Garros e Wimbledon. A imagem da saltadora Ingrid Oliveira criou uma polêmica, por culpa de comentários machistas de alguns de seus seguidores e toda vez que temos um assunto envolvendo o esporte feminino, sempre vimos à mídia mostrando a beleza das atletas do que o incentivo de seus talentos. Um exemplo é Serena Williams, que está prestes de ser a maior vencedora do tênis feminino, mas poucos falam das conquistas e da importância da atleta para a história do esporte e muitos comentam nas belezas de tenistas como Maria Sharapova e Ana Ivanovic. Toda vez que a Serena conquista um título, sempre vem as criticas sobre o seu corpo e até mesmo com a sua cor com comentários sexistas e racistas. Serena, Ingrid, Maria, Ana e outras atletas merecem  mais do que uma simples foto  ou até mesmo ser julgadas pela a aparência. É preciso reconhecer a luta e o talento de cada atleta feminina como deveria ser.


Ainda precisamos entender que as coisas não podem ser pré-julgadas como elas são, é preciso conhecer seus conteúdos, fazer outra análise de quem elas realmente são, pois não se enganem pelas aparências ou belezas, pois elas sempre enganam.

Texto: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)
Imagem: Getty
 

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